
The Runaways permite às atrizes Kristen Stewart
e Dakota Fanning interpretarem os papeis de Joan Jett e Cherie Currie no
filme cheio de música sobre a banda só de meninas adolescentes que
entrou para a história.
O drama conta a história de duas adolescentes do Valley que se tornaram
o coração e a alma da inovadora banda de meninas cujo sucesso impactou a
história da música Rock e pavimentou o caminho no mundo da música para
gerações futuras de meninas. Essencial para a capacidade dessas jovens
atrizes em retratar de forma autêntica essas mulheres foi o fato de que
ambas Jett e Currie estiveram no set e disponíveis para conversarem.
Pergunta: Como foi para vocês interpretar Joan Jett e Cherie Currie?
Kristen, você e Joan parecem ter uma energia parecida, mas Dakota, você
parece ser tão diferente de Cherie Currie. Como foi para interpretar
essas mulheres?
Dakota: Eu acho que é um grande salto dos outros papeis que eu
interpretei, e do que eu sou, na vida real. É obviamente muito diferente
de tudo que eu já fiz antes, e vai ser diferente para as pessoas
assistirem, mas eu gosto disso. Eu gosto de surpreender as pessoas com
coisas diferentes que eu possa fazer. É isso que eu amo fazer. E, eu
espero fazer mais papeis assim no futuro.
Kristen: Eu e a Joan realmente nos entendemos, e isso é uma coisa rara.
Essas conexões não são coisas comuns, ou fáceis de descrever. Mas eu
realmete acho que nós duas temos uma ecentricidade e alguns tiques que
são muito diferentes. Eu não tenho os detalhes que ela tem. E, eu também
acho que as pessoas projetam isso em mim um pouco, principalmente com
base na época em que eu fiz o filme e em quanto tempo eu tive para
pensar nesse filme que eu ia fazer; e eu fiz muita divulgação naquela
época e eu estava meio que vestindo a Joan. Eu realmente acho que foi
uma coisa fácil entrar no papel, e não foi um grande salto, mas eu
realmente acho que eu estava naquele espaço e as pessoas projetaram isso
um pouco em mim.
Como foi a relação de trabalho de vocês com Joan e Cherie?
Kristen: Para mim, eu sou tão grata a elas duas. Tivemos muita sorte que
esse filme veio a envolver elas. Você pode fazer filmes sobre pessoas
públicas, mas o fato de Joan querer ter sido a produtora e estava no set
todos os dias e foi tão aberta sobre essa época de sua vida que foi tão
importante para ela, com certeza isso diz alguma coisa sobre as pessoas
que contrataram para os papeis. Ela tranquilamente poderia ter dito
“Arranjem outra pessoa. Eu não posso falar para essa garota o que eu
tenho que falar para ela.”
Existem coisas das quais nós tínhamos que saber e que não
necessariamente estavam no filme. Não detalhes, mas reflexões pessoais,
como a maneira como certas coisas fazem elas se sentirem. Então era bom
ter elas por lá. Também, ajudou com os detalhes porque nós não tínhamos
como saber o que realmente aconteceu e seria realmente horrível tentar
inventar e preencher as lacunas, quando pode ser real. Foi legal poder
fazer as coisas reais.
Quais os detalhes específicos que elas passaram para vocês, que
acertaram em cheio e de fato ajudar na performance de vocês?
Dakota: A coisa que mais ficou comigo foi a cena em que Cherie conhece
Joan e o Kim no Rodney’s English Disco. Da maneira como estava escrita,
poderia ser que a Cherie estivesse sendo muito fria e se achando
superior a eles. E Cherie estava lá naquele dia e me falou, “É… na
verdade eu estava impressionada com eles quando eles vieram falar
comigo. Eu era uma grande fá da Joan e não conseguia acreditar que eles
estavam mesmo vindo falar comigo.” E isso salvou a cena. Caso contrário,
não teria sido nada autêntico ao que aconteceu. Só o fato de ter ali foi
ótimo. Isso é algo que eu sempre penso que podia ter sido um momento
errado no filme, e ainda bem que ela estava lá pra me falar.
Kristen: Como o script estava escrito e também por causa do diálogo, o
jeito que o Kim lida com as meninas é muito agressiva e insuportável, e
quase como se ele estivesse levando elas por um caminho que elas não
teriam percorrido de outra maneira, e isso seria ele tentando fazer
delas algo que elas não são. Toda vez, eu pensava “Nossa, eu teria dado
um soco na cara dele,” Joan ficava, “Não, você ia rir da cara dele. Você
adora o cara. Ele é hilário. Você queria ser tão louca e estranha quanto
ele.” Eu li o script pensando, “Jesus, que idiota,” mas era tipo “Não,
você adora o Kim.” Não tinha como eu saber disse sem a Joan.
Quão difícil foi abordar a sexualidade nesse filme? Chegou a ser um
desafio?
Dakota: Cherie lida com a sexualidade diferente de como a Joan lida.
Para ela, era só por um lingerie e sair lá e urrar para essas pessoas
que ficavam dizendo que ela não podia fazer isso. Para ela, essa era a
maneira de ela ser diferente, e ela conseguiu isso canalizando David
Bowie, que era extremamente sexual no palco. Era assim que ela lidava.
Pessoalmente, eu estava muito ansiosa para fazer aquelas cenas pois foi
uma grande parte da Cherie. “Cherry Bomb” ficava muito na minha cabeça e
eu estava muito animada em fazer aquilo porque foi um momento que
definiu a vida e a carreira dela.
Kristen: É o que diferenciava elas. Eu sou uns 2 anos mais velha do que
a Joan era, na época, mas ao mesmo tempo, eu não vejo uma grande
distância. Eu tenho aquela idade. Eu sou uma jovem. A Joan fala isso o
tempo todo, e ainda assim afetou muito ela, o fato de que a sexualidade
não é respeitada quando vem de pessoas jovens. Pode ser um coisa
assustadora a se considerar porque você é jovem e não sabe se é capaz de
lidar com isso, mas é inegável que são seresinhos muito sexuais,
principalmente naquela época. Pessoalmente, eu só fiz um filme. Mas
pensando a respeito agora, foi legal que o filme abordou isso e disse
“Quer saber? Isso é uma coisa para ser seriamente considerada e não
menosprezada.” Elas estavam exigindo liberdade, o que é toda a essência
do filme.
Kristen, o que você achou da cena em que Joan faz xixi na guitarra da
banda com que elas vão fazer uma apresentação, depois que ele é um
idiota completo com ela?
Kristen: Esse foi um momento legal. Ela tem uma opinião muito particular
sobre música e equipamentos. Aquela guitarra difinia perfeitamente tudo
o que ela odiava do rock n’ roll, naquela época, e dos caras que
tocavam, então ela queria fazer xixi em toda ela, e eu gostei disso.
Essa era a coisa mais rock ‘n’ roll que se podia fazer. Eu gostei mesmo
de fazer aquilo.
Vocês duas já visitaram o Japão para promover filmes por lá,
especialmente a saga Twilight. Como foram as suas experiências no Japão,
em comparação a atuação de The Runaways no Japão para o filme?
Dakota: Quando se vai para o Japão, a minha experiência é que o Japão
tem fãs muito apaixonados, mas muito respeitadores. No filme, eu adorei
as cenas com os fãs japoneses. Eu pude me identificar porque já estive
nessas situações, correndo para dentro de hoteis, mas querendo ficar
fora porque todos parecem tão legais. Eles querem fazer uma festa, mas
você tem que entrar. É assim que eles eram. Parece tão divertido, mas
meio louco ao mesmo tempo.
Kristen: Eu acho o mesmo. É uma cultura diferente. A recepção é sempre
tão calorosa, mas ao mesmo tempo tem uma certa estrutura. Tem só uma
maneira de fazer as coisas, e é legal ser recebido dentro disso. É
sempre divertido. Teve uma parte que foi contada, que eu adorei quando
li no script, que essas duas garotas vêm até nós e não dão pentes de
presente. A gente fica “Oh, obrigada. Muito obrigada.” E depois elas
falam que querem que nós usemos os pentes porque elas querem o nosso
cabelo. Foi legal. E é algo que me identifico também. É muito doce.
Se vocês tivessem uma peça do guarda-roupas do filme, qual seria?
Dakota: Eu fiquei com tudo. Mas se eu tivesse que escolher uma coisa
seria o espartilho.
Kristen: Eu teria escolhido a jaqueta de couro, mas fiquei com tudo
também.