Essa Fanfic foi escrita por mim e é nada mais
que uma homenagem ao trabalho maravilhoso de
Stephenie Meyer e à essa saga que todos nós
amamos.
Se gostaram da Fic, divulguem para outros fãs da
saga! Bjos, Anna Grey!
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Capítulo 37 – Nuvem Negra
O ar estava tomado
por uma densa névoa que não se dispersava, não
se movia, apenas tornava-se cada vez mais
pesada, mais irrespirável. O cheiro tóxico da
cidade que era consumida até sua última casa,
enchia meus pulmões, queimava meus olhos. Eu
corria, cambaleante, pelas ruas cinzentas e
desertas. Meus joelhos tremiam e a fraqueza
amolecia cada parte que ainda resistia em mim. A
sede era abrasadora, eu nem me lembrava da
última vez que senti o sangue quente descer por
minha garganta, e embora eu fosse metade humana,
hoje, eu me sentia o menos humana possível. A
única coisa que ainda me mantinha de pé era ele,
aquela última imagem de seu rosto que ficara
gravada em minha retina, queimando tanto quanto
a sede em minha garganta ressecada.
Eu perdi muito sangue, perdi muito tempo,
contudo, dentre todas essas coisas, o que eu
mais temia perder era ele.
O fogo se alastrava depressa pelas ruas,
consumindo as casas como um monstro faminto.
Benjamin estava fazendo um bom trabalho. Por
onde quer que eu passasse, correndo cambaleante
pelos escombros, eu podia sentir o cheiro dos
corpos queimando e em alguns becos, ainda era
possível vislumbrar um par de olhos vermelhos
girando nas órbitas no meio das chamas. Eu
corria, ignorando a dor crescente em meu corpo,
a falta de ar em meus pulmões, e agradecia
silenciosamente por não haver mais nenhum humano
na cidade, Deus sabe o que eu faria com a sede
latejante que eu estava sentindo. Eu ainda não
sabia como minha família conseguiu evacuar a
cidade sem que a guarda desse conta, sem que os
humanos desconfiassem. Sinceramente, todas essas
perguntas sem respostas enfraqueciam diante do
meu temor maior. Jake, onde você está?
Eu não sabia ao certo onde estava, nem se meus
pés iam na direção certa. Eu tentava farejar,
seguir o rastro quente dele, mas era quase
impossível com toda aquela fumaça sufocante. O
desespero me espreitava em cada canto escuro, em
cada curva incerta na qual eu chamava por ele
sem obter nenhuma resposta. Segui na direção em
que o vira pela última vez, se afastando de mim
e da dor que eu causava nele. Aqueles olhos
escuros me torturavam enquanto eu o procurava
naquela cidade morta, eu revia seu rosto vazio,
tão diferente do que era, como se a parte
quebrada o tivesse modificado profundamente, e
tinha medo de encontrar um estranho.
Eu sentia borbulhar dentro de mim, num lugar
completamente desconhecido, uma sensação que me
assustada. Eu via um abismo me dividir ao meio,
tão profundo e desolador que me fazia
desconhecer meus próprios sentimentos. Eu estava
tão confusa, tão perdida dentro de mim mesma.
Tudo que eu queria parecia ser errado, todas as
minhas ações eram falhas e não importava para
que lado eu corresse, eu sempre magoava alguém.
Eu fiz tudo errado desde o começo. Eu nem
deveria ter saído de casa primeiramente. Foi um
erro mentir para minha família, foi um erro
arrastar Jacob para o buraco comigo, agora nós
dois estávamos machucados e perdidos dentro de
nossos caminhos que nunca levavam a lugar algum.
E então, como se a piada em minha vida não fosse
suficientemente de mau gosto, eu fui parar bem
no centro de uma guerra que deveria ter sido
travada há séculos. Uma guerra com tantas
ramificações, que parecia mais uma teia viva,
prendendo qualquer um que se aproximasse,
inclusive eu. Destino sempre foi uma mera
palavra para mim, nada mais que uma analogia as
coisas que não podemos controlar em nossas
vidas, mas agora... Tudo parecia tão confuso.
Quando eu olhava para trás e me deixava levar
pelo retrocesso de minha vida, eu custava a
acreditar que tudo tenha sido um mero acaso
construído por acertos, erros, enganos e
palavras ditas em horas oportunas.
São opções demais, inúmeras chances, uma margem
muito grande de erros para se chamar de acaso, e
contudo, aqui estava eu, com toda sujeira em
minhas mãos e nenhuma idéia do que fazer. Eu
tentava separar as coisas em pilhas, organizar
as prioridades em minha mente, mesmo sendo
incapaz de desviar meus pensamentos dele, mesmo
lutando com o desespero, teimando com o destino
que gargalhava na minha cara. Mesmo prestes a
desmoronar, eu me esforçava para entender o que
estava acontecendo comigo.
Eu amava Jacob de uma forma instintiva, como se
tivesse nascido para isso, como se ele fosse
tudo o que eu precisava, tudo sem o qual eu não
poderia viver. Eu o amei desde o primeiro
momento, de formas distintas, que se
transformaram com o tempo, me transformando
também, fazendo meu coração amá-lo como irmão e
posteriormente como homem. Ele sempre esteve lá
por mim, sempre...
Era estranho pensar que, em nossa primeira noite
juntos, como dois adultos, como dois amantes, o
mesmo Alec que agora confundia todas as minhas
certezas, que balançava minhas sólidas
estruturas, esteve lá, naquela sala pequena no
meio do nada, de onde me roubou de minha
família, de Jake e de mim mesma. O que Alec
havia feito comigo? A coisa estranha que brotou
e cresceu dentro de mim durante os dias em que
estive com ele merecia ser chamada de amor? Eu
não queria pensar nessa hipótese, e cada vez
que, em meus pensamentos mais íntimos, eu
confessava para mim mesma que o amava, eu sentia
uma ferroada em meu peito, como se tal
sentimento me fosse vetado, como se meu coração
não aceitasse esse outro amor, que sem pedir
licença a ninguém, se alojou dentro de mim de
uma forma resoluta. Eu estava perdida...
- Jake! – Chamei, tendo como resposta o eco
distante de minha própria voz. Parei por um
instante no meio de uma rua estreita, onde o
fogo formava um túnel sem saída. Eu não podia
prosseguir. Minhas única opção era voltar e
tomar outro caminho, mas eu sabia, pelo pouco
que consegui rastrear, que Jacob não estava mais
ali, não estava em parte alguma.
Caí de joelhos no asfalto coberto de cinzas,
minhas mãos afundaram na fuligem negra. Nada...
Apenas eu e meus enganos no meio do fogo, apenas
minha fraqueza inerte, meus pensamentos turvos.
O que eu faria se ele não voltasse? Se ele nunca
mais quisesse me ver? O que eu faria sem a
esperança que depositei nele, a única fonte da
minha resistência.
Eu não conseguia imaginar como seria. Eu nem ao
menos tinha uma explicação convincente para dar
à ele. Jacob poderia voltar para La Push e me
esquecer, por quê nada do que eu dissesse
apagaria a cena que ele viu. Eu não me sentia
digna do perdão dele.
Uma lágrima silenciosa escorreu por meu rosto e
caiu sorrateira em minhas mãos sujas de cinzas.
Eu não conseguia sentir meu corpo, era como se
minha alma tivesse se desprendido e agora ela me
observava de longe, de um lugar distante demais
para ser encontrado. Só percebi que estava
chorando quando meus soluços quebraram o
silencio cadenciado da noite, juntando-se com o
estalar furioso do fogo que ardia a minha volta.
Enterrada no fundo de minha mente, havia a
consciência pálida de que, se eu não me movesse
e saísse logo daquele lugar, eu queimaria viva
junto com Volterra,
- JAKE! – Gritei com toda força de minha dor. A
sede rugiu como uma fera enjaulada dentro de
mim. Eu estava trêmula, fria e quase já não
sentia o ar entrar em meus pulmões.
Eu tinha coragem para morrer ali? Eu estava
mentindo para mim mesma quando dizia que não
poderia viver sem ele? E Alec...? E minha
família...?
Talvez eu estivesse mentindo, esticando a
mentira até que ela se parecesse com uma
verdade. De fato eu nunca havia pensado na
possibilidade de uma vida sem Jacob. Nunca,
antes de toda minha vida ser bagunçada dessa
forma, eu havia tentado imaginar esse quadro.
Contudo, aqui estava eu... desesperada, lívida
frente ao fantasma da ausência dele, perdida sem
o calor daquele amor que sempre fora meu –
indivisível e inquebrável.
Eu via os rostos familiares se alternarem frente
a meus olhos, se acendendo e se apagando como
uma lanterna distante, um farol que tentava me
guiar de volta pra casa. Mas eu não conseguia,
mais que isso... Talvez eu não quisesse voltar
para um lugar onde não houvesse ele, o som
cálido de sua risada rouca, o cheiro quente que
me envolvia e me embalava por completo. Eu
queria pensar em meus pais, em Alec, em todos
que vieram até aqui por mim, parecia injusto
retribuí-los dessa maneira, mas o egoísmo de
querer ceder à dor, de não querer mais sentir o
que eu estava sentindo, era maior que qualquer
anseio altruísta. Existe um momento, quando se
está mergulhado em intensa dor física e mental,
que sua mente começar a buscar saídas, você só
pensa em maneiras de aliviar a dor, de livrar
seu corpo daquele tormento que se espalha e se
mistura até não se poder ver nada além da morte,
até não se desejar nada além da inércia profunda
e definitiva. Sim, eu estava sendo terrivelmente
egoísta e covarde, eu podia conviver com isso
desde que essa dor aliviasse, desde que eu me
visse livre do peso esmagador sobre meus ombros.
Jacob não ia voltar, não do mesmo jeito. Eu o
veria de novo, ele ia terminar o que começou
aqui esta noite, ia lutar até o último Volturi
cair, eu o conhecia bem, certamente ele ficaria.
O que eu temia mais, era ver nos olhos dele o
sentimento quebrado, a decepção, a acusação muda
que refletia minha própria culpa. Eu não
suportaria vê-lo me odiar, embora eu não pudesse
pedir nada além disso.
Cada pensamento se alternava em minha mente como
ecos reverberando num cômodo vazio, chocando-se
contra as paredes do meu cérebro, misturando-se
ao som fraco do meu coração. Meu corpo tremia,
eu tossia, sufocando com a fumaça cinzenta que
agora cobria tudo, como um manto de nuvens
maciças. Imersos na cortina de fumaça, os sons
ritmados das casas desmoronando e do fogo
crepitando sobre as árvores enchiam o ar com uma
melodia funesta. Tudo desabava a meu redor, tudo
cedia ao fogo que em poucos minutos também me
alcançaria. Tudo que eu era seria consumido,
todos os sentimentos que guardei dentro de mim
seriam reduzidos à cinzas, queimando como uma
pilha de papel sem importância.
Eu não queria morrer sob essas condições, não
queria esquecer o rosto dele, os momentos
felizes com minha família, o cheiro da floresta
após a chuva, a cor do céu de Volterra – sim,
até esse pequeno detalhe eu queria guardar
comigo – mesmo dentro de um pesadelo, aquele era
o céu mais bonito que já vira. Todas essas
coisas encobertas pela minha agonia vinham à
tona agora, e eu só conseguia pensar que elas
não poderiam deixar de existir, se eu morresse,
eu sei que as perderia para sempre. Memórias que
se apagariam junto com a luz de meus olhos.
Justo eu, que nasci para ver todas as coisas...
Mas o que eu poderia fazer? O que? Ficar aqui,
ajoelhada em meio ao fogo era tudo que eu
conseguia fazer. A morte parecia mais
assustadora que nunca. Todo meu corpo doía,
vazio e gelado. Quase não havia sangue em mim,
meus olhos ardiam com a luz alaranjada, o fogo
parecia cozinhá-los nas órbitas. Eu queria
chorar, lavar minha alma, mas minhas lágrimas
subitamente secaram, como se eu mesma estivesse
vazia, seca como as folhas de outono.
A noite estava iluminada, a cidade se acendia
como uma estrela na escuridão, o céu mais lindo
do mundo estava fechado num rubro negro sombrio,
pronto para descer cobre Volterra e engoli-la em
sua imensidão intransponível.
Eu observei meu corpo tombar, inerte como um
brinquedo sem pilhas, e novamente eu senti que
minha alma me encarava de longe. Então é isso,
eu pensei... essa é a face de minha morte.
Obriguei-me a encará-la sem medo e me entreguei
aos braços frios que me rodearam num torpor
silencioso.
Num segundo suspenso no limite da consciência,
eu ainda pude ouvir o uivo melancólico de um
lobo subir ao céu escuro.
Fechei os olhos.
***
- Faça pressão Edward, não pare.
- A pulsação está muito fraca Carlisle, ela não
tem sangue para bombear.
- Meu Deus Edward, meu Deus...
- Calma Bella, nós não vamos perdê-la. Agora,
ajude Edward a controlar a pulsação. Verifique a
respiração, ela tem que respirar...
- Nós não devíamos tê-la deixado sozinha com
aquele Alec, Edward...
Um túnel. Distante e escuro. Breu e vozes soando
longe.
Um frio desorientador. Era isso o que eu via,
era isso que eu sentia. Meu corpo era um nada,
eu não o sentia em lugar algum, e minha mente
apenas vagava confusa por um espaço atemporal.
Eu não podia entender aquelas palavras, mas as
vozes que murmuravam sobre mim, eram tão suaves,
aveludadas... Eu gostei de ouvi-las. Tentei
encontrá-las no turbilhão indistinto daquele
silêncio encômodo. Eu queria ouvir o som das
palavras embalando meus sonhos turvos,
borrados...
- Ela precisa de sangue Edward, e nesse ponto...
No estado dela creio que sangue animal não vai
ajudar em nada. – A voz serena murmurava
rapidamente, sem perdera constancia aveludada de
suas palavras. Soava como cordas de nylon
vibrando no espaço, cada nota subindo em
espirais perfeitas.
- O quê está sugerindo Carlisle? Que eu terei
que escolher entre a vida de minha filha e a de
um inocente? – Essa era a voz que eu mais
gostava. Tão linda, ao forte e vibrante.
Parecia-se com cristais. Se pudesse ser tocada
seria como seda.
- Eu não sei o que fazer Edward, ela não reage a
nada... – Eu sentia tanto frio. E contudo eu não
podia tremer, estava inerte, presa num corpo
gelado e imóvel. Eu sabia que, em algum lugar,
havia um coração, eu podia ouvi-lo ao fundo, um
murmúrio lento e fraco que se misturava com as
vozes perfeitas que conversavam entre si.
- Edward, nós não temos escolha. – Disse a voz
feminina, um sino de vento soando na escuridão
que me envolvia. Eu gostava dessa também... Era
tão familiar que por um momento eu pensei estar
vendo-a sob minhas pálpebras fechadas. – Eu não
posso suportar isso Edward, não posso ficar aqui
vendo minha filha morrer. Eu daria meu sangue se
ainda tivesse algum em minhas veias, mas nem
isso eu posso fazer por ela. Então não me olhe
assim. Se alguém tem que morrer para que minha
filha viva, eu aceito. Vou agora mesmo buscar
alguém na cidade vizinha. – A voz radiante
brilhava como uma estrela na imensidão obscura
onde eu me encontrava. Era como olhar para o céu
noturno e ver lá longe um lusco fusco
incandescente.
- Não vai precisar ir tão longe Bella. – Um novo
clarão, uma nova voz surgindo no tapete negro. O
céu se abriu em uma rajada de fogo,
desfazendo-se sob a luz quente que aquela nova
voz trazia. Era uma ressonância macia, mas tão
forte que alcançou o plano real, e subitamente
eu senti aquele coração distante que falava tão
baixo, bater com mais força. Era como um choque
elétrico passando por meu corpo entorpecido.
- Jake, vice não vai fazer isso.
- E por quê não?
- Jacob, ela vai precisar de muito sangue. – A
voz suave e calma quase sussurrava.
- Nós já fizemos isso antes. – Disse a voz
rouca, soando mais perto. Eu senti a
luminosidade vertiginosa daquela voz, clareando
minha mente turva como se mil vela tivesse, sido
acessas diante de meus olhos.
- É diferente Jacob. Naquela vez ela sugou só o
sangue sujo das suas veias, uma quantidade
insignificante para alguém como você. Agora ela
precisa de muito, mesmo para você é muito
sangue, você pode não sobreviver...
- Eu não me importo. Vamos logo com isso.
- Jake, não! Pare. Você não vai se matar.
- Bella, nós não temos escolha. Não há humanos
por aqui,e mesmo se houvesse, eu não vou ficar
aqui olhando você drenar um inocente. Se precisa
ser feito, sou eu quem deve fazer. Além disso,
pode ser que eu sobreviva, o doutor mesmo disse
que eu sou forte. – Um silêncio pesado caiu
sobre meus ouvidos. Por um momento pensei que
havia perdido de vez as vozes brilhantes que me
distraiam do frio. Tive medo do silencio, eu
queria ouvi-los, queria sentir as notas formando
cores em minha mente vazia.
Quando o desespero começava a me alcançar, a voz
melodiosa da mulher sussurrou:
- Como isso foi acontecer? – Aquele lamento
sufocado atravessou minha mente como um punhal.
Uma melodia triste demais para eu suportar. Eu
queria chorar, mas eu não encontrava meus olhos
em lugar algum.
- Não temos tempo para isso agora, Bella.
Deixe-me dar o sangue a ela. Depois conversamos.
– Outro minuto de silencio, outro minuto de medo
e escuridão. E então algo aconteceu...
Eu não sei bem como. Eu senti uma dor aguda em
alguma parte do corpo que até então eu não
sentia. Era como se eu tivesse sido puxada de
volta a meu próprio corpo, como se por um
momento, minha alma estivesse solta, flutuando
num espaço inexistente. Eu senti meu coração.
Ele estava quase desistindo. Lute – eu gritei
para ele – mas não houve resposta. Meus coração
se esforçava em suas últimas batidas oscilantes.
- Eu estou aqui. Você me encontrou. Eu nunca
iria embora sem você. – O frio cedeu
gradativamente, eu ainda não sabia como, mas a
escuridão invencível que parecia prestes a me
tragar, dissolveu-se no calor daquelas palavras
sussurradas tão carinhosamente para mim. Elas me
afagavam como luvas de plumas. Eu sentia o
hálito quente em meus ouvidos, apenas um segundo
antes de reencontrá-los. E assim, em cada parte
entorpecida do meu corpo, eu pude sentir o peso
da vida que estava me deixando aos poucos.
- Preciso que faça algo por mim. – Disse a voz
rouca, e no mesmo instante eu soube que ele não
estava falando comigo, o brilho tremeluzia.
- Qualquer coisa Jake. – Respondeu a voz clara e
melodiosa da mulher.
- Se eu não der conta... – Um pausa. Um suspiro
pesado. – Levem meu corpo para meu pai.
- Eu tinha uma vaga consciência despertando em
mim. Eu sabia quem eu era, mas não sabia dizer
onde estava ou como havia parado ali. Eu via
escuridão. Eu ouvia cores... Elas cantavam para
mim, amenizavam o pavor daquela semi morte, e
quando fazia-se silencio, era como apagar as
luzes.
- Será feito. – Disse a voz cristalina, as
palavras deslizando como água.
- Muito bem então.
- Jake. – Chamou a mulher.
- Sim.
- Quando for o suficiente, eu vou pará-la.
- Não se preocupe com isso. O importante é que
ela fique bem. Concentre-se nisso.
Eu queria entender aquelas palavras, mas minha
mente estava adormecida. Ela apenas sonhava com
cores e sons, influenciada por aquelas vozes
magníficas, feliz por tê-las por perto. Eu sabia
que eu estava morrendo... Mas desde que eu não
ficasse sozinha, no silencio e na escuridão,
então tudo estava bem.
- Ela sabe que está morrendo. Mas ela não está
com medo, está sonhando... Está em paz.
Sim, sim... Paz. Alguém dizia algo assim, a voz
de seda desenhava meus pensamentos, e eu adorava
ouvi-la sempre adorei...
- Ela não vai morrer. – Ah, aquela outra voz...
O oposto das vozes melodiosas que sempre
murmuravam tão baixo e cadenciadamente. Era como
fogo e gelo, e essa me queimava.
Eu sonhava com o campo, com a grama salpicada
com o orvalho da manhã. Sonhava com o
crepúsculo, o céu tingido de vermelho. Quadros
que se misturavam, e logo vinha outro, e mais
outro... Todos tão evanescentes. Eu podia sentir
a grama sob meus pés, e o vento em meu rosto. Eu
queria correr até minhas pernas cansarem.
- Eu preferia que vocês não vissem isso. –
Murmurou a voz rouca, esquentando meu corpo
recém descoberto. Eu senti o calor contra minha
pele, e outra onda de choque correu por minhas
pernas e braços gelados.
Tudo emudeceu. Todas as vozes brilhantes se
calaram, haviam partido.
Exceto uma, mas essa não dizia muita coisa,
apenas me reconfortava. Eu sentia pele quente
sob meu corpo, envolvendo-me um abraço
intransponível.
O quê era isso? O que era esse fogo me queimando
de dentro para fora? Esse cheiro. Esse gosto
terrivelmente bom escorregando por minha língua?
Era mais do que eu podia suporta, senti-me tonta
de desejo, embriagada por aquele cheiro doce,
aquela textura magnífica. Eu o queria tanto que
chegava a doer. Meu corpo todo queria aquilo,
implorava por mais...
- Tome Ness. Não precisa chorar, está tudo bem.
– Sim, eu não tinha me dado conta do que estava
chorando, mas agora eu percebia. Eu estava
sofrendo em cada gole quente que tomava para
mim, ávida e incapaz de me deter. Me doía sentir
aquele desejo febril. Era esmagador,
incontrolável.
Minha mente se acendia com tanto calor. Meu
coração martelava, frenético em meu peito. Eu
podia ouvir o vento passando sobre a superfície
escarpada da rocha, levantando as cinzas numa
espiral constante. Eu podia ouvir o coração
dele, batendo forte sob minhas mãos semi
aquecidas. Eu gemia com a intensidade da sede,
que tornava-se mais voraz a cada nova gota
preciosa. Eu sentia que estava emergindo de uma
grande profundidade, era como se meus ouvidos se
livrassem da pressão incômoda que me ensurdecia.
Aos poucos, como o amanhecer, como se o sol
estivesse inundando o céu de luz e calor, minha
visão obscurecida empalideceu, clareando a cada
batida estridente do meu coração.
Eu vi o céu - de verdade - pairando
majestosamente sobre mim, com sua imensidão
silenciosa se estendendo até onde meus olhos o
perdiam de vista. Um tapete negro salpicado por
nuvens cinzentas que escondiam as estrelas de
mim.
Ah, como era divino aquele sabor. Um bálsamo
para todos os meus temores. Era como fogo
líquido. Todos os sons despertavam ao meu redor,
eu queria sorver tudo, tornar meu cada ruído da
noite, cada farfalhar das folhas das árvores.
Meu coração acelerava, o dele desvanecia...
Eu estava bebendo sua vida.
Horrorizada, trêmula e confusa, eu me afastei do
pulso ensangüentado que repousava sobre meus
lábios. Meus dedos fechavam-se feito barras de
ferro ao redor da ferida aberta que jorrava o
sangue quente em minha boca aberta. Como era
difícil me afastar daquele pulsar forte, vívido
e desesperado...
- Jake. – Gemi, tentando com todas as forças
combater aquele impulso sedento. Ele me olhou,
sorrindo, sereno como uma brisa de primavera, e
nada disse.
Ele estava pálido, recostado em uma das grandes
árvores que cobriam aquela clareira. Eu nunca
estive ali. Tentei me levantar, e logo descobri
que eu podia fazer isso perfeitamente.
Contudo, me sentei ao lado dele, de modo que
pudesse ver seu rosto. Ele me olhava tranqüilo,
como se nada mais importasse ou merecesse
atenção maior.
- Por quê fez isso? – Perguntei, sentindo as
lágrimas turvarem minha visão.
- Que escolha eu tenho? Não posso viver sem
você... – Engoli a bola quente que se formava em
minha garganta, o gosto dele ainda incitando
minha sede. Fechei minhas mãos em punho,
tentando conter a raiva que eu estava sentindo
de mim mesma. Percebi algo macio sob minha mão
esquerda, quando olhei, me lembrei de algo que
ele me dissera há muito tempo...
- Finja que é meu coração. – Estendi a flor
amassada para ele. Ele sorriu. – Eu estraguei
tudo não é?
- Não. Você fez o que tinha que fazer. Se não
tivesse feito não seria você, isso faz parte de
quem você é. – Ficamos em silêncio por algum
tempo, escutando o vento e observando a aurora
alaranjada que pairava sobre Volterra. Estávamos
a mais ou menos dois quilômetros da cidade, numa
clareira pequena que se elevava sobre os montes
de Montepulchiano.
- Acabou Ness. Vamos para casa agora. –
Sussurrou Jacob em meu ouvido. Segurei sua mão
quente entre meus dedos e sorri para ele, feliz
por ver que eu não tinha o sugado até quase a
morte.
Ajudei ele a se levantar, percebendo a fraqueza
momentânea devido a falta de sangue, e eu estava
me sentindo bem. Estava esperançosa pela
primeira vez em meses...
- Ah, mas nós estamos apenas começando meu caro.
Arfei, e quando me virei em direção da voz eu
quase gritei. Aro, Caius, Jane, Demetri...
Aquele pesadelo não terminava nunca?
Adendo: semana que vem vai ao ar o antepenúltimo
capítulo de Rising Sun. Isso significa que o
capítulo final sairá no dia 2 de Julho (se
nenhum imprevisto ocorrer)
By: Anna Grey
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promoção prorrogada jogo cripto lua nova o filme
Esses dias atrás lançamos em nosso fã site este maravilhoso passatempo chamado cripto plus eles é uma maneira interativa de jogar e passar o tempo e ainda melhor com a nossa capa de nossos ídolos inesquecíveis e conteúdo do filme lua nova e as primeiras 2000 pessoas que adquirir este passatempo vai levar brindes do filme lua nova e crepúsculo vale a pena mesmo adquirir galera estamos contando com a sua ajuda porque em breve vai chegar o boleto do pagamento do site e precisamos arrecadar este dinheiro para manter o site no ar por que esta hospedagem é um pouco carinha vamos nos unir que tudo no final vai dar certo.
lembrando que as primeiras 2000 pessoas que pedi o passatempo ira ganhar 4 brindes do filme crepúsculo e lua nova vale a pena mesmo adquirir este produto
tudo isso vai ser por apenas 4 reais






































