Essa Fanfic foi escrita por mim e é nada mais
que uma homenagem ao trabalho maravilhoso de
Stephenie Meyer e à essa saga que todos nós
amamos.
Se gostaram da Fic, divulguem para outros fãs da
saga! Bjos, Anna Grey!
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Capítulo 36 – A Canção Continua
a Mesma
Jacob
O plano havia
corrido com perfeição até aqui. Enquanto eu
cravava minhas patas na terra úmida, acelerando
silenciosamente para o ninho dos sanguessugas,
eu podia ouvir os corações barulhentos e
excitados de meus irmãos atrás de mim.
Tanto tempo sem lutarmos lado a lado... Tantos
dias desde a última vez que fomos para batalha
juntos, e essa noite, no entanto, aqui estávamos
nós, longe de nossa terra, lutando pelo mesmo
motivo de sete anos atrás.
A mesma canção soando sem parar no disco
quebrado de minha vida... E quantos anos mais eu
não lutaria por ela? Minha vida inteira se fosse
preciso. Todo e cada ano de minha eternidade,
nem que fosse apenas para estar com ela uma vez
mais, para pôr os olhos nela novamente, e se
fosse preciso que eu morresse para isso, mesmo
assim eu faria. Deus sabe que eu faria...
Não importa o que isso me custou nesses tantos
anos. Nada... Tudo... Eu não me importava. O
problema nunca foi o que eu sentia, era tudo por
ela, para ela, e eu faria de novo. Diria cada
palavra mais uma vez, lutaria as mesmas
batalhas, derramaria cada lágrima novamente.
Hoje eu sei que faria de novo, mesmo me
arrependendo de tantas coisas que fiz ao longo
de minha vida, ela sempre será a parcela
imutável de mim, e de qualquer forma, prefiro
isso a me lamentar por não ter feito nada.
“Jake, concentre-se. Estamos quase lá.” - Disse
Sam em minha mente, a voz branda soando como um
eco. Tê-lo novamente dentro de minha cabeça era
bem melancólico, me lembrava do tempo das
patrulhas pelas florestas de Forks e La Push,
atravessando as noites e muitas vezes partes do
dia. Eu sentia falta daquela época. Do garoto
sem preocupações que vagava por La Push durante
todo o dia, da garagem minúscula na qual eu me
isolava com meus projetos de sucata. Era
estranho perceber o quanto minha vida havia
mudado desde então, e descobrir que eu me
recordava dessas coisas com cada vez menos
freqüência, fazia eu me sentir outro homem,
alguém estranho a meus próprios olhos.
“Se apressem.” - Disse a eles, aumentando o
ritmo de minhas passadas.
O túnel que percorríamos começava num beco
estreito no centro da cidade. Era um buraco
disfarçado de esgoto, com grades de ferro
fundido e profundidade de cinco metros sob o
pavimento rochoso. A largura da entrada nos
obrigou a permanecer em forma humana até o final
da queda escura e úmida, desembocando depois em
um túnel largo o bastante para permitir uma
corrida tranqüila para o maior de nós - no caso,
eu.
As pontas de minhas orelhas roçavam o cimento
úmido acima de nós, e nossas patas afundavam nas
poças do chão, borrifando gotas de água negra
nas paredes rústicas. A pedra parecia sangrar na
escuridão que nos envolvia.
Não foi possível trazer todos, nem era sensato
optar por tal investida. A cidade inteira
precisava ser varrida em apenas uma hora, e isso
exigia uma divisão nas matilhas. Sam, como
sempre, liderou muito bem os que trouxe de La
Push: Paul, Jared, Embry, Quil, Seth e ...,
dividindo-os novamente quando chegamos aqui.
Quil e ... ficaram incumbidos de não deixar nada
passar dos portões da cidade, a não ser aliados.
Minha pequena matilha de sete anos atrás
reuniu-se novamente, sendo a maior surpresa da
noite a presença repentina de Leah, que veio ao
nosso encontro quando já estávamos na Itália. Eu
sinceramente não contava com ela. A última vez
que estivemos em contato, eu estava no Canadá
com Rosalie. Estava desesperado.
Quando senti Leah em meus pensamentos após tanto
tempo eu quase tive um ataque cardíaco, e o
alívio por não estar mais sozinho tingiu meus
pensamentos, o que deixou Leah irreversivelmente
presunçosa. Naquela noite eu contei tudo a ela,
e mais do que isso, Leah compartilhou comigo a
dor que eu até então carregava sozinho. Nós
conversamos em silencio por um longo tempo, mas
Leah não pôde me socorrer, e sinceramente, acho
que não poderia pedir isso a ela.
Leah estava bem, tinha uma vida normal pela
primeira vez, tinha um trabalho de que gostava,
uma casa, tinha amigos normais... Como eu
poderia pedir a ela que abandonasse tudo aquilo
que tinha conquistado e corresse de volta para a
vida da qual ela tinha fugido, a vida que ela
odiava? Eu não podia, pelo simples motivo que
sempre entrega a todos nós: eu sentia a dor dela
também, eu entendia. E naquela noite eu senti o
quanto ela havia melhorado, a leveza na alma
dela.
Ela se desculpou, disse que não podia ajudar,
que não conseguiria. Eu disse que estava tudo
bem, contei a ela o plano, falei dos aliados que
estávamos reunindo, das idéias revolucionárias
de Carlisle, seria uma luta e tanto, mas Leah
desculpou-se e deixou meus pensamentos e eu
fiquei novamente naquele silêncio desesperado,
olhando para a cara amarga de Rosalie sem
realmente ver algo. Leah disse que sentia muito
por mim, por minha falta de sorte, e nos
pensamentos dela eu provei novamente a pontada
amarga que sempre diferenciou Leah de todos os
outros do bando. Nessas horas eu preferia Seth
em minha mente, mas o garoto estava em casa,
estava com Sam, estava fora da matilha dos
desgarrados. Leah e eu. Nunca houve um par tão
ferrado...
E agora, com ela ladeando meu flanco direito
novamente, eu sentia-me satisfeito, sentia-me
mais o Jacob que fui um dia. Era bom correr com
ela novamente.
"Eu sempre soube que você ia sentir minha
falta." - A voz de Leah entrou como um sino em
minha mente, e mesmo agora eu não conseguia me
acostumar com aquela voz irritante que por tanto
tempo ficou fora de minha cabeça. Bem, Leah
podia ter mudado em alguns aspectos, mas
definitivamente ela ainda era a
incoveniente-chefe, velhos hábitos não se
perdem, não é?
"Argh! Olha só quem fala. Você ainda é o mesmo
Jacob chorão e implicante." - Rebateu ela. Eu
poderia ficar brigando com ela a noite toda,
apenas para ter um pouco mais das velhas coisas,
mas essa noite... essa maldita noite estava me
enlouquecendo.
O cheiro dela ficava cada vez mais fraco, como
se fugisse de mim, como se uma brisa gelada o
tivesse soprado para longe, e eu corria,
forçando cada músculo de meu corpo até sentir o
fogo lamber meus membros. Só Leah conseguia me
acompanhar de perto, e de hora em outra, Sam
pedia-me calma, mas isso era tudo que eu não
teria essa noite, não enquanto não a
encontrasse.
Aquele túnel bolorento se estendia
infinitamente, parecia um círculo infinito, a
corrida demorou mais do que eu poderia suportar
até chegarmos à câmara que Edward nos
especificou. Os primeiros sanguessugas nos
aguardavam ali, seus rostos de pedra passaram
como um borrão por mim.
Eu passei como um foguete pela luta, deixando
meus irmãos para trás, eu não tinha tempo para
perder com aqueles serviçais inúteis. Nem bem eu
saí da câmara e mais da metade dos sanguessugas
já estavam em pedaços. Mesmo assim, eu não me
sentia bem fazendo aquilo, deixar minha matilha
lutando enquanto eu corria, era algo que ia
contra minha natureza, todos os meus instintos
gritavam. Mas eu não tinha escolha, tinha que
encontrá-la, tinha que acreditar que eles
ficariam bem...
Aquele covil fedia, eu mal podia me concentrar
no leve traço do cheiro dela em meio aquele
fedor me queimando o nariz.
Eu estava quase adentrando a segunda ante câmara
quando senti Leah e Seth atrás de mim.
"O que está fazendo Leah? Eu mandei você ficar
com Sam e os outros." - Minha mente estava
entorpecida, eu mal conseguia me concentrar nas
palavras, colocá-las em ordem.
''Sam e os outros ficarão bem, eles já
terminaram por lá, estão indo para os andares
inferiores da câmara. Você precisa mais de ajuda
do que Sam, ele não precisa de mim..." - Senti
uma pontada aguda atravessando minha mente, um
eco da dor mil vezes maior que Leah sentia. Eu
não pude contestar, embora quisesse.
"E por quê trouxe Seth?" - Tentei rapidamente
mudar de assunto, clarear minha mente, espantar
as nuvens que encobriam minha visão.
"E você consegue fazer esse garoto obedecer?
Bem, pelo menos eu posso ficar de olho nele." -
Os velhos hábitos... Lá atrás Seth nos seguia
com um pouco de dificuldade, mas eu tinha que
admitir, o garoto estava se saindo muito bem.
Desde de que as matilhas se reuniram para a
invasão, eu não vira nem mesmo uma vez o garoto
molenga que vivia me seguindo por La Push. Seth
afinal havia crescido, não era mais uma criança
e também não era mais um novato. Os mais novos
foram deixados em La Push para proteger a tribo
em nossa ausência, ou melhor, na ausência de Sam
e os outros, por que eu... Eu estava ausente já
havia muito tempo.
Aquele labirinto sem cor me deixava nervoso, eu
me guiava pelo cheiro dela, já quase apagado,
mas aonde quer que entrássemos não havia nada
além de mais sanguessugas nojentos. Meu olfato
ardia e quanto mais nos embrenhávamos entre
aqueles cômodos gelados, mais difícil se tornava
encontrar novamente o rastro dela. Meu coração
martelava enlouquecido em meu peito.
Continuamos correndo pelos corredores cheios de
pompa, sujando os carpetes com nossas patas
enlameadas, colocando portas e mais portas
abaixo. Encontramos mais três sanguessugas pelo
caminho, e desses eu cuidei pessoalmente, meu
instinto protetor aflorava muito mais quando
aqueles dois estavam comigo, eu me sentia
responsável por eles, e isso de alguma forma
jamais mudaria.
Eu forcei minha mandíbula na garganta do infeliz
enquanto ele se debatia, guinchos metálicos
escapavam de sua boca. Os outros dois estavam
sendo desmembrados por Leah e Seth, eu tinha
feito o serviço sujo, mas eles fizeram questão
de participar.
Arremessei o corpo inerte contra as portas
duplas que pairavam no fim do corredor, ele
arrebentou a madeira grossa, abrindo o espaço
que eu precisava para entrar no grande salão que
se acendeu a minha frente.
“Jake, olhe.” – Chamou Leah, e antes mesmo que
eu olhasse, eu vi palpitar na mente dela a
figura asquerosa pairando como um fantasma nas
sombras daquele salão. Estava tudo destruído, o
chão de mármore estava rachado, buracos e pilhas
de pedra, vidro e corpos desmembrados
atravancavam o caminho. Aquilo era sinal de que
o plano estava correndo perfeitamente. Jasper e
os outros já haviam passado por ali...
Corri em direção do sanguessuga, pulando os
montes de escombros, em quanto dava ordens a
Leah.
“ Fique alerta, não abra a guarda.” – Eu
pensava, repetindo isso como um mantra, sem me
dar conta de que estava também lembrando a mim
mesmo de não vacilar, simplesmente por quê a
vida dela dependia do meu sucesso.
A criatura branca ficou imóvel, me encarando com
olhos vermelhos opacos, tão mortos quanto ele
próprio. Tudo no rosto dele gritava “eu não me
importo”. Ele simplesmente observava minha
aproximação como quem observa uma mariposa voar
em volta de si.
Deixei apenas cinco metros nos separando,
enquanto colocava a matilha em formação. Eu à
frente, Leah em meu flanco direito, Seth
circundando o inimigo pela lateral esquerda,
essa era a formação de batalha...
- Se quer me matar vá em frente, mas tenho que
lhe dizer que quem você quer não está aqui. – A
criatura falou, no tom mais frio e sem vida que
eu já ouvira na vida. Aquele ali parecia
realmente um morto-vivo. Seria um jogo? Ele
estava blefando?
Não havia mais ninguém. Nenhum sanguessuga num
raio de dois quilômetros em qualquer direção que
meu nariz conseguia farejar. Ao invés disso, um
cheiro acre e pesado tomava o ar, vindo das
partes inferiores do castelo. O cheiro dos
corpos queimando, o cheiro da justiça sendo
feita...
Enquanto o sanguessuga de cabelos cor de mogno
apenas nos encarava como bichos de pelúcia, eu
tentava decidir o que fazer.
Minhas opções eram estreitas, eu tinha que tirar
informações dele, mas não podia me dar ao luxo
de ficar em forma humana. Demoraria apenas meio
segundo para mudar novamente, talvez até menos,
mas eu não podia dar essa brecha. Contudo, como
lobo eu não podia falar e não poderia arrancar
dele a informação da qual eu precisava. O quê
fazer? Arriscar meu pescoço? Arriscar perder a
chance de encontrá-la? A resposta veio mais
rápido do que eu conseguia processar.
“Jake, é muito arriscado.” – Disse Leah, vendo
minha mente trabalhar.
“ Eu não tenho escolha.” – Disse-lhe. “Quero que
vocês me cubram. Se ele se mover, vocês atacam.”
– Havia resignação na mente de Leah enquanto eu
lhe dava as instruções, e nesse meio tempo, a
criatura não se movera nem uma polegada, até
seus olhos se estagnaram no salão destruído que
servia de pano de fundo a meu plano suicida.
Respirei fundo, fechando meus olhos e tentando
encontrar dentro de mim a fonte de calor que
queimava constantemente. Abafei-a, acalmando as
chamas que fluíam por meu corpo.
Quando meus pés humanos tocaram o chão, e eu
pude sentir a ar frio vir de encontro a meu
peito nu, eu sabia que aquela era provavelmente
a coisa mais insana que já havia feito.
A criatura nem ao menos me olhou enquanto eu
mudava de forma.
- Ei. – Chamei-o. Um rápido deslocar em suas
pupilas opacas, nenhuma uma expressão em seu
rosto poeirento. – Diga-me onde está a garota. A
mestiça Cullen que vocês roubaram. – As palavras
saíam tortas de minha boca, talvez por quê eu as
mastigasse como barras de ferro. Aquele rosto...
Sim, ele era um dos anciões, agora eu me
lembrava daquele rosto inanimado no meio daquele
trio de mantos negros. Mas onde estariam os
outros dois?
- Eu lhe fiz uma pergunta. – Rosnei.
- E por quê eu deveria lhe dar a resposta? – A
voz grave e fria combinava perfeitamente com seu
semblante moribundo. Por um momento eu não soube
o que dizer, principalmente por quê ele não
parecia se importar em morrer, ele quase parecia
desejar isso, embora seu rosto pálido não
tivesse nenhum traço de desejo algum.
- Me parece que você não teme a morte, não é? –
Os olhos leitosos pararam em meu rosto e pela
primeira vez eu vi uma centelha brilhar no fundo
daquele mar morto. Continuei. – Você é um
ancião, deve estar muito zangado por termos
destruído tudo que você governa. Vocês perderam
tudo. E eu não me refiro apenas a esse castelo
que está em ruínas, nem a seu exército reduzido
a cinzas... O mundo todo já sabe sobre as
mentiras de vocês, e adivinhe só... Boa parte do
mundo está aqui em Volterra essa noite para
destruir vocês. – Deixei um sorriso sádico
brincar no canto de meus lábios, só para
incitá-lo.
- Garoto... – Ele sussurrou. – Você não conhece
nada do mundo, principalmente desse mundo. Você
viveu o quê? Uns vinte anos? Acha que entende a
dor? Acha que entende a guerra? – Eu não sabia o
por que, mas aquelas palavras, proferidas com
tanta frieza e indiferença, abriram um buraco em
mim. Por um momento eu vi a fenda infinita na
alma daquele ser. Ele continuou com ar cansado.
– Esse não é mais meu exército, e embora eu
tenha construído esse castelo, a dona dele já
não está entre nós há muitos séculos. Tudo que
você vê aqui, tudo que destruiu aqui, são frutos
da ganância de Aro, e eu sempre soube que
terminaria assim, eu sempre soube que chegaria o
dia em que eu caminharia por entre as ruínas do
meu castelo. – A voz dele tornava-se mais
audível, como uma torrente que ameaça romper a
barreira. Eu não conseguia desviar meus olhos
daquele rosto, e não podia deixar de sentir a
dor amortecida que pairava em volta daquele ser,
eu me perguntava o que acontecera a ele para ter
secado assim, como uma fruta colhida antes da
hora.
- Acha que eu me importo com que você procura
aqui? Acha que sua busca e sua vingança são
importantes para mim? Isso não significa nada
para mim...
- Então creio que não se importe em morrer aqui
e agora, assim como não se importará que eu
mesmo faça isso. Na verdade eu só vou terminar o
que começaram, por quê você já está morto. Eu só
vou formalizar. – Eu cuspi as palavras num
lembrete de que eu não podia vacilar. A conversa
precisava terminar.
Ele me olhou, os olhos sem vida me fitando sem
se perturbarem.
- Vai me dizer onde está ela? – Dei-lhe a última
chance, mesmo sabendo que seria inútil.
- Vá para o inferno.
Deixei o fogo me tomar, subindo por minha coluna
como uma serpente de calor. Os tremores já
subiam por meus ombros quando uma voz clara como
cristal rompeu o silêncio.
- Jacob Black, pare! Não o mate. – Eu olhei em
direção a voz, e meus olhos encontraram uma cena
que certamente era a última que eu esperava ver
por aqui.
Um sanguessuga que eu nunca vira na vida vinha
arrastando uma humana que mancava. Ele tinha
várias marcas de mordida, iguais a de Jasper, e
suas roupas estavam rasgadas e parcialmente
queimadas. Ele sentou a humana num degrau, e com
todo cuidado do mundo disse-lhe ao ouvido.
- Fique aqui. Está tudo bem. Shhh, eu vou ficar
bem. – A humana tentava detê-lo, não queria que
ele chegasse perto de nós. Leah se inquietou, e
Seth estreitou o espaço entre mim e os dois
sanguessugas.
- Jacob Black. – Disse o sanguessuga. – Meu nome
é Willian, e este que você está prestes a matar
é meu pai. – Ele se aproximava cauteloso, o
rosto liso e pálido contrastava na escuridão.
Olhei-o, tentando chegar a alguma conclusão,
tentando entender por que uma humana estaria
ali, e por quê diabos ela ainda não tinha virado
almoço.
- Primeiramente. Eu não ligo. Ele é um Volturi,
e todo Volturi que eu encontrar hoje vai morrer.
E Segundo. Me dê um bom motivo para não matar
você junto com ele e levar essa humana que você
carrega para um lugar seguro. – Eu estava
ficando confuso com aquela situação, meu tempo
corria mais rápido que eu, que estava aqui,
parado entre essas criaturas nojentas.
- Eu sei, eu sei... Mas eu lhe peço, não nos
machuque. Quanto à humana, a única coisa que
quero é tirá-la daqui com segurança. – Disse
ele, aproximando-se cada vez mais.
- Aí está bom. – Rosnei. Ele parou.
- Desculpe. – Disse ele.
- O quê está fazendo, seu idiota? – Grunhiu o
sanguessuga mais velho. – Eu não quero sua
ajuda. Saia daqui com essa humana patética.
- Eu não vou deixar você aqui para morrer. –
Respondeu o outro.
- Como se você se importasse se eu vivo ou
morro.
- Pare de tentar se matar. Isso não vai trazê-la
de volta.
- Cale-se seu bastardo.
- Calem a boca vocês dois. – Gritei. Os dois me
olharam. Eu estava decidido.
- Leah, Seth, esses dois vão se entender na
fogueira. Quando acabarmos aqui, quero que um de
vocês leve a humana para os portões da cidade. –
A humana soluçou, o rosto abatido molhado de
lágrimas.
- Espere Jacob. – Disse o sanguessuga mais novo.
- O tempo de vocês acabou. – Deixei o tremor
subir por meu tronco novamente, incitando o
calor.
- Jacob, eu sei onde a Ness está.
Meu sangue esfriou na mesma hora, cessando os
tremores e fazendo meu coração dar um salto. O
sanguessuga sabia o apelido dela, o nome que eu
a chamava desde o dia em que nasceu. Olhei para
ele, meus olhos quase pulando das órbitas.
- Onde? Onde ela está? – Perguntei, enquanto me
aproximava dele sem me importar se era um truque
ou não. Ele sorriu.
- Você é exatamente do jeito que ela descreveu.
O túnel que Willian descreveu surgiu em minha
frente como uma centelha de esperança. Eu
acelerei ainda mais, e enquanto atravessava o
fogo que consumia quase todo aquele andar, eu
sentia o cheiro denso no ar. Eu mal podia
respirar.
“ Jake, o castelo inteiro está em chamas. Dê um
jeito de sair logo daí.” – Disse Leah. Ela e
Seth escoltavam Willian e a humana chamada
Lavínia para fora do castelo. Sam e os outros já
haviam saído e agora perseguiam o rastro de Aro,
as imagens na cabeça de Sam me dizia que eles
estavam perto.
“Leah, procure Bella, diga a ela que estou
perto.” – Eu não conseguia pensar em mais nada.
Tudo estava acontecendo tão rápido. Como eu
poderia imaginar que o tal Willian, filho de um
ancião Volturi, estava ajudando minha Ness? Eu
não tive tempo de ouvir a história inteira, mas
pelo que pude entender, eles ficaram próximos
por quê ambos queriam a mesma coisa. Mas
certamente ele se encantou com ela, quem não se
encantaria? O mais bizarro nessa história, era a
tal humana que Willian não largava nem por um
minuto. Eles me lembravam Edward e Bella...
O túnel era estreito demais para meu tamanho, eu
quase tive que me espremer em alguns trechos. Em
minha mente eu repassava as palavras de Willian.
“O túnel que Ness encontrou desabou, é
impossível até para mim atravessá-lo. Você vai
entrar três metros no túnel e logo vai ver o
buraco que abri na parede ao lado, foi por lá
que escapei. Ele desemboca diretamente numa
passagem da tubulação da cidade, igual aos que a
guarda geralmente usa para se locomover pela
cidade. Se puder alcançar essa passagem você só
precisa correr até encontrar uma saída.” E eu
estava correndo agora. Do fogo à água fria,
minhas patas afundavam, mas eu já podia sentir a
corrente de ar em meu rosto.
Quando cheguei à superfície, percebi que tinha
desviado muito do local onde Willian disse que
ela iria. A igreja. Eu já me preparava para
correr quando uma brisa gelada soprou do leste,
e um leve traço do cheiro dela me alcançou. A
chuva atrapalhava, me confundia, tornava cada
rastro mais ameno, mas aquele era um cheiro que
eu poderia rastrear até no meio de um furacão. E
o rastro ia para leste. Ela não estava na
igreja.
Saí em disparado pela chuva, contornando as
casas e os becos estreitos, encontrando por
todos os lados os aliados que o doutor trouxe de
todas as partes do mundo. O mesmo plano de sete
anos atrás, o melhor que tínhamos em mãos.
Infelizmente, Aro foi mais esperto dessa vez, e
tratou logo de silenciar as testemunhas que
estiveram conosco naquele inverno.
Sobraram poucos, muito poucos...
Fiz a curva numa esquina escura, e logo que
adentrei na rua o cheiro me nocauteou como um
punho de ferro. Ela estava perto, e não estava
sozinha.
Algum maldito Volturi estava levando ela
enquanto nós lutávamos, teria sido um bom plano
se eu não existisse.
Fui o mais silencioso possível, o mais paciente
possível. Era preciso ter calma agora, eu não
sabia quem era o Volturi que estava com ela, não
sabia se tinha alguma habilidade, eu não poderia
falhar.
Ele parecia distraído, algo incomum nessas
circunstâncias. Não deixei a oportunidade
passar.
Ele entrou num beco, ela estava logo atrás. Era
minha chance.
Ele parou quando me viu, eu me agachei, sentindo
meus pêlos se eriçarem nas costas e não pude
conter o rosnado que escapou por minha garganta.
Como eu queria olhar para ela, como eu queria me
ater apenas por dois segundos para admirá-la,
mas eu não podia desviar meu foco do inimigo. Eu
teria de matá-lo agora.
Avancei diretamente para ele, ouvi ela gritar lá
atrás, ela devia estar tão assustada... Isso só
inflamava mais meu ódio.
Minha mandíbula quase o pegou, mas o desgraçado
era rápido. Ele desviou para esquerda, mas eu
consegui pegá-lo. Minha pata dianteira alcançou
o ombro dele, meio milímetro a mais e era menos
um braço. O sanguessuga caiu entre as latas de
lixo, fazendo um barulho dos infernos. Avancei,
deixando o ódio calibrar meus músculos, dando
tudo de mim naquela luta.
Nessie correu em minha direção, e por pouco eu
não a tirei dalí correndo. Mas eu não podia, eu
tinha que terminar aquilo. Saltei sobre ela, e
parei bem em frente ao desgraçado. Eu já não
ouvia mais nada. Só enxergava o ponto onde eu
devia acertar.
Ele se levantou mais rápido do que eu previa e
quando eu já me preparava para abocanhar, meus
olhos escureceram completamente. De repente, eu
estava completamente desorientado, eu não ouvi
nada, não via nada e não sentia cheiro algum. Um
desespero latente tomou conta de mim e com um
estalo eu percebi que aquele era o Volturi que a
levou naquela noite. O ódio era a única coisa
pulsante em mim.
Ataquei mesmo sem saber nem mesmo para onde ia,
contando apenas com um pouco de sorte. Ele
estava perto demais, se eu fosse rápido, talvez
o alcançasse. Era tudo ou nada.
Eu mordi algo sólido, e isso era algo que eu
ainda podia discernir. Quando senti a coisa
maciça entre meus dentes, eu chacoalhei, apertei
com força. Poderia ser uma lata de lixo, mas
também podia ser a garganta dele.
Arremessei, e por meio segundo minha visão
voltou parcialmente. Eu estava certo, era a
perna do maldito o que eu alcancei. Saí em
disparado, eu não podia perder tempo,
sanguessugas só param quando tem a cabeça
arrancada, e infelizmente a dele ainda estava no
lugar. A escuridão tapou meus olhos novamente, e
eu fui obrigado a adotar uma ofensiva violenta.
Ele poderia tentar se aproximar por traz, ele
poderia tentar qualquer coisa. Eu ataquei tudo a
minha volta, eu não iria facilitar para ele.
Enquanto corria na direção em que ela estava na
ultima vez que o vislumbrei, eu senti uma
presença se aproximando de mim rapidamente. Eu
joguei meu corpo, me debati, e continuei
correndo.
Senti um pressão violenta em minhas costelas e o
entorpecimento em meus sentidos aumentou de uma
forma tão densa que eu já não sabia se estava de
pé ou caído no chão.
Eu estava perdido, me afogando numa escuridão
sem cheiro, sem tempo e sem espaço. Eu sabia que
minhas costelas estavam quebradas, mas eu não
sentia nada, não sentia nem mesmo meu coração
batendo. E embora estivesse tão perto da morte,
eu só conseguia pensar nela. A dor de perdê-la
novamente era a coisa mais forte que eu era
capaz de sentir, e apenas isso me dava a certeza
de que eu ainda estava vivo. Me debati, tentei
encontrar minhas pernas, tentei encontrar meu
corpo, mas ele parecia ter sumido.
Não sei quanto tempo se passou, era impossível
saber, parecia a eternidade. Subitamente, como
quando a gente fica muito tempo embaixo d’água,
eu encontrei o céu escuro sobre mim. A chuva
caía em meu rosto e pinicava contra minha pele
quente, eu estava em forma humana, o lobo dentro
de mim sucumbiu ao escuro, me deixando aqui,
vulnerável como um boneco. Minha respiração
estava fraca, doía... Devagar, mas com um grito
de desespero preso em minha garganta, eu me
levantei, já sentindo o cheiro de sangue me
alcançar. “Shhh, vai ficar tudo bem meu amor.” A
voz sussurrava para ela, como se estivesse
cantando. Eu vi uma estaca de ferro atravessando
a perna dela, o sangue dela se espalhando pela
rua, eu vi os olhos dela presos nele como alguém
que observa um milagre. Ele a beijou. Com
carinho, cheio de um amor que só eu era capaz de
compreender. Com cuidado, como se ela fosse de
cristal, como se ela pudesse quebrar sob o mais
leve toque. Ele pressionou a ferida, estancando
o sangue, como se aquele líquido que tingia as
mãos dele nada significassem, como se sua
garganta não queimasse feito brasa de sede.
Então eu entendi. Ele a amava também, quem não a
amaria? E ela... Ela estava tentando proteger
ele, não queria que eu o matasse.
Mas eu poderia atender esse desejo? Eu seria o
cara maduro e forte mais uma vez? Eu teria
forças para sair do caminho, para ser o
altruísta? Que maldita sina era essa?
Presenciar o amor dele não foi o pior. Eu
poderia viver com aquilo, era suportável. O que
me matou foi escutar o coração dela martelando
enquanto ele a beijava, foi ver no rosto dela um
consentimento absoluto para aquele beijo. Ela o
queria...
Ela me olhou, desvencilhando-se das mãos dele
como uma criança que é pega fazendo besteiras.
Os olhos dela ainda tinham um leve traço de
vermelho, mais estavam mais humanos do que
estavam da última vez que a vira. Marrom,
aqueles olhos que me esquentavam.
- Jake... – Ela falou, e por um momento eu tive
que segurar as lágrimas. Aquele era o som da
minha vida, o som mais importante, o mais
precioso. Eu me sentia um nada, e por um breve
momento eu entendi como alguém poderia ficar
como aquele pai do Willian, aquele ancião
Volturi morto-vivo, uma casca oca.
Eu não podia culpá-la, não tinha direito de me
sentir traído. Ela nunca me prometeu nada. Uma
noite, foi tudo que ela me deu, e embora tivesse
significado tudo para mim,eu não podia esperar o
mesmo dela. Eu também não podia matá-lo, assim
como nunca pôde matar Edward quando pensava
estar apaixonado por Bella. Esse era o tipo de
armadilha da qual só se escapa dando um tiro no
próprio pé.
Eu não podia fazer nada, e no momento não
conseguia pensar. A coisa mais importante: ela
estava segura. Seria levada para a família,
Bella e Edward chegariam logo. Leah viu toda a
luta, ela cuidaria disso pra mim. A coisa estava
terminada, a cidade estava em chamas, os
sanguessugas italianos estavam fritando. Eu não
tinha mais nada para fazer aqui.
Adendo: o título desse capítulo é uma homenagem
ao album de 1976 do Led Zeppelin que me ajudou a
ter inspiração e ânimo para reescrever esse
capítulo!
Postado por Anna Grey às 21:31
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Esses dias atrás lançamos em nosso fã site este maravilhoso passatempo chamado cripto plus eles é uma maneira interativa de jogar e passar o tempo e ainda melhor com a nossa capa de nossos ídolos inesquecíveis e conteúdo do filme lua nova e as primeiras 2000 pessoas que adquirir este passatempo vai levar brindes do filme lua nova e crepúsculo vale a pena mesmo adquirir galera estamos contando com a sua ajuda porque em breve vai chegar o boleto do pagamento do site e precisamos arrecadar este dinheiro para manter o site no ar por que esta hospedagem é um pouco carinha vamos nos unir que tudo no final vai dar certo.
lembrando que as primeiras 2000 pessoas que pedi o passatempo ira ganhar 4 brindes do filme crepúsculo e lua nova vale a pena mesmo adquirir este produto
tudo isso vai ser por apenas 4 reais






































