Essa Fanfic foi escrita por mim e é nada mais que uma homenagem ao
trabalho maravilhoso de Stephenie Meyer e à essa saga que todos nós
amamos.
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Capítulos 
Se gostaram da Fic, divulguem para outros fãs da saga! Bjos, Anna Grey!
Capítulo 33 – A Torre
A escuridão avançava conosco como um
tapete negro cobrindo nossos passos. Eu sentia o ar cada vez mais frio
passar por nós, como se espíritos flutuantes estivessem nos dando boas
vindas. O cheiro de terra fresca e musgo ficava cada vez mais forte à
medida que entrávamos dentro da terra. Eu estava me sentindo algum
tipo de roedor, escavando a terra para encontrar o ar.
À minha frente, Willian e Alec mantinham um ritmo apressado, ignorando
totalmente minha necessidade de respirar. Ninguém falava, ninguém
movia-se além do necessário. Mãos e pés trabalhavam enquanto a mente
permanecia imersa em vozes que não podiam ser ouvidas. A todo minuto
alguém farejava, alguém pendia a cabeça em direções diversas, buscando
os sons que nunca chegavam, os ecos que silenciavam cada vez mais.
Enquanto os seguia, eu pensava em Zafrina, nas coisas que ela havia me
mostrado, nas poucas coisas que eu havia entendido. Se a imagem dele
não me voltasse toda hora à mente, talvez eu pudesse me concentrar
melhor nas entrelinhas daquelas visões incoerentes, se eu não pensasse
tanto nele, talvez eu conseguisse me concentrar nas coisas que Alec
estava fazendo por mim. Na verdade, isso estava me matando, e eu não
fazia idéia de como dizer a Alec para desistir, por que eu mesma não
queria desistir dele.
- E agora? Para onde Ness? - Perguntou Willian. Olhei sobressaltada
para ele, e vi que ambos esperavam uma resposta minha. Diante de nós,
uma bifurcação estreita apresentava-se com todos os mistérios que uma
escolha pode trazer. Direita ou esquerda? Para onde agora Zafrina?
Para onde agora Renesmee?
Alec e Willian encaravam-me impacientes, enquanto eu via crescer
dentro de mim um desespero mudo. Pensei em quais eram minhas opções...
- Eu não sei, não conheço essa passagem, não conheço nada desse
castelo, nunca estive em Volterra antes... Eu não... Faço idéia de
onde estamos. - Confessei, sentindo minhas bochechas corarem.
- Pensei que tivesse um plano. Você parecia bem decidida quando socou
a parede e nos mandou segui-la. - Disse Willian, uma decepção
implícita escapando de suas palavras. Alec permanecia calado, mas a
expressão no rosto dele alarmava-se cada vez mais. Eu não sabia o que
dizer, eu simplesmente contava com as visões de Zafrina, mas nelas não
haviam nenhuma indicação do caminho que eu deveria seguir. Algo estava
faltando, nada fazia sentido...
- Eu só... - Tentei verbalizar alguma explicação, mas nada me vinha à
mente. Suspirei, sentindo-me terrivelmente cansada.
- Precisamos nos apressar. - Disse Alec. Ele encarava a escuridão
atrás de nós como se algo fosse sair dalí a qualquer momento. Levei as
mãos até minhas têmporas e apertei-as, eu esperava conseguir lembrar
de algo que deixara escapar, algum detalhe, algum relance... Mas nada
me veio à mente, nada além do usual.
- Eu não sei por que você achava que devíamos vir por aqui, eu só
concordei por que pensei que você tivesse algum plano de última hora.
- Argumentou Willian, segurando-me pelos ombros. - Mas Ness, não há
nada além de Volterra no fim desse túnel. Nós não vamos estar a salvo
bem no meio da cidade deles. - Willian acariciou meus ombros,
consolando-me e afastou-se, perdido em seus próprios pensamentos.
Nessa hora, duas coisas aconteceram simultaneamente.
As palavras de Willian acenderam uma luz ofuscante em minha mente.
Volterra. O meio da cidade deles. O centro. O ponto zero. O lugar que
orgulhosamente recebe todos os anos visitantes de todos os lugares
para celebração do dia de São Marcus. O santo homem que livrou a
cidade da praga de vampiros, e que também emprestava o nome à catedral
da cidade, uma torre construída no século dezoito cujo topo abriga o
relógio que marca cada minuto da eternidade na cidade dos Volturi.
O relógio que Zafrina queria que eu visse. O relógio que dizia onde e
quando eu deveria estar.
Naquele mesmo instante, enquanto minha mente mantinha suspenso no ar
aquela concessão repentina, o barulho de passos emergiu da escuridão
atrás de nós. Mais próximo do que esperávamos, mais próximo do que
podíamos permitir, eles vinham diretamente para nós como o sopro
gelado de uma nevasca.
- É Demetri. - Sibilou Alec para Willian enquanto puxava-me pelo pulso
em direção a bifurcação, tomando o caminho à esquerda, Alec assumiu a
dianteira com Willian em seus calcanhares. Eu não tive tempo de pensar
sobre o que tinha acabado de concluir, e nem sabia como eu explicaria
a eles o por que deveríamos ir para a igreja de Volterra, só sabia que
Zafrina me queria lá, e sendo excesso de confiança ou não, eu estava
inclinada a obedecer.
- Alec, espere. - Tentei fazê-lo ouvir. Ele olhou para mim de
esguelha, afrouxou o aperto em meu pulso, mas não diminuiu o ritmo. -
Eu preciso dizer uma coisa. - Resmunguei, enquanto era puxada para
frente.
- Depois conversamos Ness, primeiro precisamos sair daqui. - Respondeu
ele soturnamente, sem tirar os olhos do caminho obscuro que se
estendia a nossa frente.
- Vocês não estão entendendo... - Insisti.
- Merda! Devem ser uns vinte pelo barulho que estão fazendo. -
Resmungou Willian atrás de mim. De fato, o barulho tumultuoso que
vinha dos túneis não era nada animador.
- Alec, me escute. Só me diga para que lado fica a igreja de Volterra.
- Eu pressionei, olhando o rosto compenetrado dele e esperando que ele
me desse ouvidos antes de tomar o caminho errado.
- É, talvez essa seja uma boa hora para rezar Ness, por que nós
estamos muito ferrados. - Ironizou Willian. Alec me encarava com os
olhos confusos de quem não está entendendo mais nada. Devolvi o olhar
dele com toda sinceridade que havia em mim.
- Por favor. - Sussurrei. Alec voltou-se para frente.
- O caminho que tomamos sai num beco em frente à fonte da praça
central. Do outro lado fica a torre da igreja. - Explicou ele enquanto
corríamos pelos túneis.
Atrás de nós, o eco de passos tornava-se cada vez mais nítido. Eu
podia sentir o cheiro de Demetri entre os vários cheiros que nos
chegavam, e era quase como se eu pudesse ver o rosto dele, os olhos
atentos rastreando cada pegada que deixávamos para trás.
- Não vamos conseguir Alec. - Disse Willian nervoso.
- Nós vamos. - Respondeu Alec, acelerando ainda mais a corrida. Ele
deslizou a mão de meu pulso e entrelaçou os dedos frios nos meus, eu
segurei firme a palma lisa e gelada e minha pele ardeu contra a dele
com o calor que emanava de meu sangue em movimento. Meu coração
martelava e eu ofegava, meus olhos vislumbravam apenas um borrão
cinzento passar por nós. Se Demetri e os outros nos alcançassem, a
coisa ficaria bem feia.
- Por que diabos estamos indo para a igreja Ness? O que tem lá para
nos salvar além da piedade do bom Deus? - Retrucou Willian. Eu não
podia vê-lo, mas eu sabia que o desespero estava estampado em suas
feições finas e delicadas, no entanto lá estava ele, zombando do
perigo.
- Eu não sei muito bem... Zafrina tem me mostrando a tal igreja há
dias. Eu vejo a fonte da praça central e o relógio da torre marcando
nove horas, mas eu nunca sei se é dia ou noite. Zafrina está ficando
cada vez mais confusa em suas visões, eu já não sei o que pensar das
coisas que ela tem me mostrado. Às vezes eu chego a pensar que ela
está enlouquecendo naquela cela. – Lembrei-me da cela onde fiquei
trancada por dois dias inteiros, o cubículo minúsculo e deprimente que
cheirava a mofo, enterrado nos porões do palácio mais bem vigiado do
mundo, e Zafrina já estava há tanto tempo lá...
- Mas então você sabia desse caminho por causa das visões que a
amazona está te enviando? Quando isso aconteceu? Você sempre nos
contava quando recebia essas visões... - Continuávamos correndo o mais
rápido que aquele caminho estreito e tortuoso nos permitia, lá atrás
os passos apressavam-se em nossa direção.
- Foi enquanto Jane e eu... conversávamos. - Lancei um olhar tímido à
Alec. Ele nem percebeu, e se o fez, manteve-se inabalável. - Eu vi o
túnel nas visões, e não era nada como os corredores do castelo, só não
sabia que estávamos tão próximos dele.
- Isso significa que estamos no caminho certo. - Interrompeu Alec,
sinalizando o chão a nossa frente, por onde filetes de água corriam
livremente. - Está chovendo na superfície. - Disse ele.
- Quanto falta? - Perguntou Willian olhando para trás a cada meio
segundo.
- Pouco. - Respondeu Alec. Um relâmpago ensurdecedor rasgou o céu na
superfície, fazendo a terra estremecer ao nosso redor. Algumas pedras
soltaram-se e logo uma nuvem de poeira tomou o ar a nossa volta.
- Se não sairmos daqui logo, vamos ficar soterrados. - Gritei,
desviando das pedras que caíam cada vez mais freqüentemente. A terra
tremia inteira, era como estar dentro de um liquidificador. A água
vertia das fendas da terra, encharcando nossas roupas de barro.
- Não vamos conseguir sair a tempo se tivermos que lutar. - Disse
Willian. Alec o encarou, voltando depois os olhos preocupados para
mim, e por um momento eu vi a confiança dele oscilar. Ele sabia que
Willian estava certo, e no fundo talvez eu soubesse também, embora eu
não quisesse admitir ou pensar nas nossas péssimas possibilidades de
sobrevivência.
Demetri e os outros nos alcançariam logo, e nós teríamos que lutar
novamente. Num lugar como este, de um metro de diâmetro por um e
noventa de altura, os poderes desorientadores de Alec eram quase
inúteis. Nós não tínhamos para onde fugir, e mesmo cegos, surdos e o
que quer que fosse, eles conseguiriam nos atacar.
Willian estacou de súbito.
- Will, vamos. O que diabos está fazendo parado aí? - Gritei para ele.
Willian estava de costas para nós, respirava fundo e encarava o vácuo
de onde vinham nossos inimigos. - Will. - Chamei, desesperada.
- Vão - Gritou ele de volta sem nos olhar. - Saiam logo daqui. Eu vou
encontrar vocês lá fora. - Eu olhei para Willian aterrorizada, sem
entender o que ele estava pensando, sem querer entender o que estava
acontecendo.
- Você está louco. Não vou te deixar aqui para morrer, eles vão te
matar Will. - A água jorrava e escorria pelas paredes de pedra
lamacenta, meus pés atolavam no barro e eu tentava enxergar alguma
coisa no meio daquele caos. Larguei a mão de Alec e comecei a me
aproximar de Willian. Eu iria arrastá-lo para fora comigo se fosse
preciso.
- Ness... - Chamou Alec, tentando pegar minha mão novamente.
- Me solte Alec, eu não vou deixá-lo aqui. - Avancei.
- Vá agora Ness! - Repreendeu-me Willian, dessa vez olhando
diretamente para mim. O rosto dele trazia uma convicção indestrutível,
uma coragem que me deixava desesperada. Estaquei a meio passo,
sentindo as lágrimas transbordarem por meus olhos e misturarem-se com
a água fria da chuva.
- Will, por favor, não faça isso. Nós vamos conseguir, venha. - Eu
estava implorando, tentando desesperadamente fazê-lo se mover. - Alec
diga a ele para vir conosco. - Olhei para Alec, recorrendo à minha
última tentativa desesperada. Alec me encarou, torturado.
- Ness, ele tem razão. Não vamos conseguir sair a tempo. Alguém terá
que ficar e segurá-los. - Eu não queria ouvir aquelas palavras. Queria
que elas nunca tivessem saído da boca de Alec, e queria mais do que
tudo que elas não fossem verdades.
- Alec, você e Ness continuam e não parem até encontrarem a igreja. Já
viu que horas são? - Ele apontou o relógio de prata escondido sob a
manga da camisa de Alec. Segui o olhar dele e vi os ponteiros
prateados marcarem oito e cinqüenta e três da noite. - Eu tenho um bom
pressentimento sobre esse plano. A amazona pode estar certa, ela pode
saber de algo que não sabemos. - Willian desviou os olhos de nós por
um minuto, perdendo-se em um pensamento distante. Em seguida nos
encarou novamente e disse: - Eu não vou morrer antes de ver minha
Lavínia de novo. Ela está em algum lugar do castelo, eu sei disso. Aro
a manterá viva e segura, ela é a única garantia que ele tem contra
mim. - O que eu poderia dizer à ele? Que desistisse de seu amor? Que a
deixasse para trás e fugisse conosco? Eu não podia dizer isso, era
egoísmo, era mesquinharia, eu não podia fazer nada, nem nada do que eu
dissesse o faria virar as costas para a única mulher que já amou.
- Agora vão! - Gritou Willian. - Vão! - A voz dele soou distante em
meus ouvidos, e eu já não sabia se aquilo era um pesadelo ou se era
real. Senti as mãos de Alec rodear minha cintura e me puxar para traz,
e meu corpo resistia sem que eu pudesse fazê-lo entender as razões
morais do que estávamos fazendo. Enquanto Alec me levava para
superfície, eu via a imagem de Willian ficar cada vez mais distante,
até que meus olhos turvos de lágrimas só conseguiam vislumbrar a
silhueta indiscernível dele. Quando o perdemos de vista o silêncio
caiu sobre nós como uma mortalha, e eu pude ouvir a voz rouca de
Willian reverberar pelo espaço vazio:
- Venham seus malditos, venham... - Ele gritava, e eu, agarrada nos
braços de Alec continuava a subida tortuosa até a superfície, tentando
não imaginar o resultado daquela luta. Vinte contra um. Jake costumava
dizer que esses eram bons números para se começar um aquecimento.
***
A chuva caía sem piedade sobre a cidade dos Volturi. A praça central
estava deserta, não havia luzes nas casas ou nas ruas. Um forasteiro
como eu pensaria que se tratar de uma cidade - fantasma. Nenhum som,
nenhuma presença, nenhum traço do cheiro quente de sangue humano.
- É sempre movimentado assim por aqui? - Perguntei, olhando a minha
volta e não encontrando nada além de vazio. Alec também não estava
gostando daquela quietude agourenta.
- Há algo errado. – Disse ele taciturno.
- Você acha? - Perguntei, rabugenta. - Está tudo errado Alec. Para
começar não devíamos ter deixado Willian para trás. - Eu não estava
realmente brava com ele, mas eu precisava exteriorizar aquela raiva de
algum modo, contudo, eu não o culpava pela escolha que Willian fez,
por que eu sabia que eu teria feito o mesmo por eles.
- Você tem razão. Aquilo era meu dever. Eu deveria ter ficado. – Disse
ele. Encarei-o atônita.
- Eu não... quis dizer isso. - Nós caminhávamos com passos largos,
cruzando a praça totalmente vazia. A chuva jorrava do céu, empoçando
as pedras do pavimento, a nossa volta apenas o barulho da água que
caía do céu misturando-se ao tilintar suave da fonte. Alec não disse
nada, e eu não vi como poderia continuar aquele assunto.
Enquanto contornávamos a fonte, eu encarava a água escura que jorrava
das estatuetas de pedra, e ás vezes, enquanto eu piscava tentando me
livrar da água que invadia meus olhos, eu vislumbrava a cascata
avermelhada que Zafrina me mostrara, mas então eu apertava minhas
pálpebras e tudo voltava ao normal. A chuva prejudicava meu olfato,
encobrindo quase completamente os odores da cidade que dormia
tranqüila., eu mal podia sentir o cheiro doce e suave de Alec a meu
lado.
As portas escuras da igreja se camuflavam na escuridão, e apenas
quando os relâmpagos prateados cortavam o céu, era possível enxergar
as faces dos anjos esculpidos na fachada de pedra. Estávamos à dez
metros da entrada quando a grade de ferro fundido que selava a entrada
dos túneis que levavam ao castelo arrebentaram-se contra a parede do
beco atrás de nós. O barulho metálico cortou a noite repentinamente, e
os ecos pareciam se prolongar para além dos muros da cidade. Nos
viramos no mesmo segundo que eles emergiam do subsolo.
- Corra. - Gritou Alec, puxando-me pela mão igreja adentro. Atrás de
nós era possível enxergar apenas dois rostos pálidos, dois pares de
olhos vermelhos nos caçando como miras de rifle, eles nos observavam
imóveis, como se nada daquilo os importasse muito. Demetri foi quem
vimos emergir primeiro, seguido de Jane, trazendo no rosto a expressão
mais fria que já presenciei na vida. Eles pararam assim que nos viram,
no lado oposto da praça circular e de lá nos seguiram com os olhos
vidrados e os rostos imóveis. Na escuridão daquela noite, eles
pareciam fazer parte da paisagem.
Alec e eu adentramos a igreja num rompante e trancamos as portas
duplas de carvalho atrás de nós. Nos encostamos na madeira fria, eu
ofegava, Alec escutava a movimentação do lado de fora sem se mover. A
nave da igreja estava mergulhada num breu profundo, os vitrais se
iluminavam contra o clarão pálido dos relâmpagos. Do altar, todos os
santos assistiam nosso desespero como uma platéia invariavelmente
muda.
- Como eles chegaram aqui tão rápido? - Ofeguei, tateando em meus
bolsos o esqueiro que Willian havia me dado algumas noites antes.
- Eu não sei. Talvez Demetri tenha deixado os guardas cuidarem de
Willian, talvez o alvo deles seja nós. - Murmurou Alec, concentrado
nos sons que se misturavam com a chuva.
- E Jane? Ela parecia meio catatônica da última vez que a vimos. Pelo
jeito ela se recupera rápido. - Falei, enquanto acendia as velas mais
próximas a mim. Nós não precisávamos realmente de luz, nossos olhos
eram tão bons na escuridão quanto na claridade, mas eu queria me
certificar de que houvesse fogo se começássemos uma luta. Uma pequena
apólice de seguro.
- Eu disse a você que ela ficaria bem sem mim. Ela está aqui por Aro,
e não vai descansar até cumprir as ordens que ele a deu. - Disse Alec.
- Que seria...?
- Aro te quer morta Ness, é para isso que ela veio. - Disse Alec,
olhando-me seriamente. Eu acendi a última vela e parei um minuto para
escutar. Do lado de fora a chuva martelava sem cessar, eu podia ouvir
a respiração fraca dos dois, misturando-se ao farfalhar do vendo
passando pelas casas. O silêncio já começava a ficar opressivo quando
ouvimos os primeiros ruídos de passos do lado de fora.
- Eles estão vindo. - Sussurrou Alec, prostrando-se diante da porta e
me empurrando para trás num movimento sutil e inconsciente.
- Alec, o quê está fazendo? - Aquela preocupação toda estava começando
a me incomodar. Primeiro Willian, agora Alec... Eu não deixaria mais
ninguém se colocar entre mim e o perigo.
- Shhh... - Sussurrou ele, fitando a porta como se pudesse segurá-la
com o olhar. Eu protestaria mais algumas vezes se tivesse tido tempo,
mas antes que eu pudesse formular alguma palavra, a porta de madeira
explodiu em cima de nós.
Fechei os olhos no calor do momento e quando os reabri eu vi o rosto
de Alec colado ao meu. Ele me abraçara, cobrindo todo meu tronco e
cabeça como um casulo. A nossa volta, pedaços de madeira e ferro
espalhados por todos os lados. O impacto foi tão grande que rasgou as
costas da camisa de Alec, e tenho certeza que teria feito bem mais se
tivesse me acertado em cheio.
Olhei para Alec aterrorizada, eu me esquecia freqüentemente de que ele
não sangrava como eu, nem era tão vulnerável assim. Mesmo assim
olhei-o, checando os estragos. Nada.
Eu não tive muito tempo para checá-lo, e foram precisos ainda alguns
segundos para que eu me desse conta do que estava acontecendo.
Demetri agarrou Alec por traz, puxando-o para longe de mim. Diante de
meus olhos ele o ergueu do chão pelo pescoço, arremessando-o até a
parede oposta. Eu gritei, mas em seguida eu senti o fogo lancinante de
Jane tomar conta do meu corpo e meus ouvidos fecharam-se para todo o
resto.
Durou dois segundos, talvez menos, talvez mais, é difícil dizer quando
se está semi consciente. Eu vi o rosto de Jane entrar em foco, eu
encarei os olhos dela enquanto ardia em convulsões, e tão rápido
quanto veio, a dor de foi.
Eu estava no chão, caída entre os bancos da igreja e a mesa do altar,
e de lá eu observei a expressão raivosa de Jane se transformar em um
espanto paralisante. Em seguida, entre os barulhos de luta e o ronco
distante da chuva, eu ouvi uma voz que não ouvia há muito tempo.
- Fique longe dela!
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