Essa Fanfic foi escrita por mim e é nada mais que uma homenagem ao
trabalho maravilhoso de Stephenie Meyer e à essa saga que todos nós
amamos.
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Capítulos 
Se gostaram da Fic, divulguem para outros fãs da saga! Bjos, Anna Grey!
Capítulo 24 – Herança
Por um instante eu oscilei, senti-me nas bordas, prestes a cair, prestes
a afundar. Por um instante eu ví o fim passando diante de meus olhos
fechados. Por um instante eu perdi todas as minhas esperanças.
Senti as mãos frias de Aro pressionarem meu rosto, firmes, enérgicas...
Senti a proximidade de seu rosto, o cheiro adocicado de sua pele, a
suavidade que era ao mesmo tempo impressionante e aterrorisante. Ouvi o
silêncio que nos rodeava, senti os olhos dos expectadores presos em nós,
senti a tensão de alguns e a excitação de outros.
Eu não poderia dizer quanto tempo se passou antes de Aro soltar-me,
apenas senti quando suas mãos frias deslizaram de meu rosto, caindo
impotentes ao lado de seu corpo. Agradeci silenciosamente quando concluí
que terminara, pelo menos não me machucou, pelo menos não senti nada
como o ataque de Jane na clareira.
Lentamente abri meus olhos, com medo do que veria. Aro ainda estava
parado em minha frente, à um passo de mim, a cabeça baixa, os olhos
fixos e sem vida pregados no chão. Eu não sabia se aquilo era um efeito
colateral das visões dele, talvez ele ficasse um pouco desorientado
depois de penetrar na mente alheia, mas então olhei para Jane, e ela
parecia tão... tão chocada. Mas por quê diabos Jane estaria chocada com
algo? Seu rostinho angelical estava lívido, seus olhos que mais pareciam
dois rubis, estavam absortos no rosto de Aro. Fiquei alí, encarando os
rostos aturdidos de Aro e Jane, sem saber ao certo o que esperar ou o
que pensar daquilo. Aro levantou a cabeça, devagar e pausadamente, até
que seus olhos opacos encontraram-se com os meus. Senti um arrepio
gelado percorrer meu corpo. A expressão no rosto dele era um misto de
muitas coisas, medo, raiva, exasperação, choque, e finalmente
satisfação. Podia ver as engrenagens de seu cérebro funcionando enquanto
essas transformações ocorriam em seu rosto macilento bem diante de meus
olhos.
Não consegui desviar os olhos do rosto de Aro, e de alguma forma aquilo
estava me assustando. Não sabia o que esperar, não sabia o que pensar,
apenas tinha uma vaga consciência de que algo estava errado.
- Você herdou os poderes dela! – Sussurrou Aro, encantado. Havia uma
sentelha assustadoramente brilhante em seus olhos leitosos, e o jeito
como ele pronunciou aquelas palavras me fez ficar ainda mais
desconfiada. Que diabos ele queria dizer com aquilo? Eu não tinha feito
absolutamente nada.
- O-oque disse? – Perguntei atônita. Aro encarava-me com um júbilo
doentio, seus lábios pálidos esticando-se em sua face, sulcando as
bochecas e os cantos dos olhos com pequenas rugas.
- Não, isso é impossível. Ela não é imune à mim, eu sou tão eficaz nela
quanto em qualquer outra pessoa. – Disse Jane. Uma pontada de desespero
e incredulidade tingindo sua voz aguda. Aro olhou para ela, os olhos
astutos passando por seu rosto apenas por um segundo antes de se desviar
para Caius e Marcus. Então ele caminhou até seu trono, onde sentou-se e
ponderou em silêncio sobre algo que eu não fazia idéia do que era. Olhei
para Alec, imóvel ao lado de Aro, seu rosto delicado estava retorcido
com a mesma expressão confusa de Jane, mas seus olhos estavam levemente
mais tranquilos. Para onde quer que eu olhasse, eu encontrava um par de
olhos vermelhos a me encarar. Eu estava prestes a berrar minhas
perguntas tão alto quanto eu conseguisse quando Aro falou:
- Pode ser uma variação, uma combinação dos poderes de ambos. – Aro
ponderava sozinho, como se não houvesse mais ninguém alí. Marcus
observava-o entediado e Caius esforçava-se para entender algo. Jane
estava ainda no mesmo lugar, com a mesma máscara desolada em seu rosto,
era como se seu orgulho estivesse ferido, como se a superioridade dela
estivesse seriamente abalada.
- Não entendo Aro, o que tem a garota? – Retorquiu Caius, desistindo de
tentar acompanhar o raciocínio precário de Aro.
- Não vê meu irmão? – Perguntou Aro. – Eu não pude entrar na mente dela.
Ela está me bloqueando. – Senti novamente a sensação de soco no
estômago. Quantas vezes mais eu iria sentir-me assim? – Ela herdou o
poder da mãe dela e parece nem mesmo ser consciente disso. – Ele parou,
analizando-me mais uma vez. - Mas por alguma razão ela não é imune à
Alec ou a Jane como Bella, mas é imune à mim. Consegue ver a poesia
nisso meu irmão? – Aro gargalhou. Senti a sensação de déja vú se
instalar em minha mente, aquela mesma gargalhada felina explodindo no
céu azul de meu sonho, aquela mesma sensação de profundo contentamento
na voz daquele demônio. Ele só poderia estar ficando louco. Eu não tinha
herdado nada além dos olhos marrons de minha mãe. Meus poderes não
tinham nenhum traço do poder dela, eu não poderia tê-lo bloqueado assim
como não fui capaz de bloquear Jane ou Alec. Contudo, não abri minha
boca, por quê ao mesmo tempo que percebi que Aro estava terrivelmente
enganado, percebi também que algo maravilhosamente útil havia
acontecido. Ele não entrou em minha mente, ele não viu todas as coisas
que vi e pensei. Ele ainda estava no escuro em relação à mim, e isso...
Isso era um milagre impossívelmente bom e completamente incompreensível.
Não importava. Eu estava à salvo por mais alguns instantes, e isso era
mais do que eu tinha à dois minutos atrás.
- Conseguem ver a ironia nisso irmãos? – Ele continuou enquanto olhava
desvairadamente em meu rosto. – A filha de Bella é a única que pode me
dar o que quero, e eu sou o único que não pode tocá-la. – Aro suspirou,
o medo lutando com a satisfação em seu rosto ofídico. Eu realmente não
entendia a razão daquele júbilo. Ele deveria estar muito zangado com o
fato de não poder arrancar de mim minhas lembranças e pensamentos, mas
apesar da ponta de frustração em seu rosto, havia também uma satisfação
soturna que eu não compreendia.
- Isso é possível Aro? – Perguntou Caius desconfiado. Aro encarou-me
mais uma vez, perscrutando meu rosto.
- Creio que essa seja a única explicação. Contudo, vou mantê-la aqui
para mais alguns testes. – Olhei atônita para ele, eu não gostava de
como aquilo soava. – Ah, que ótimo. Finalmente. – Aro levantou-se,
ignorando minha presença por um momento. Segui seu olhar até a porta
principal e senti meu coração afundar quando vi a figura alta e esguia
aproximando-se em passos firmes e hostis.
- Zafrina. – Soluçei, sentindo minha garganta se fechar. Ela esboçou um
leve sorriso para mim e continuou caminhando vagarosamente com Demetri
em seu encalço.
- Olá minha criança. – Saldou ela quando aproximou-se de mim. Eu queria
abraçá-la, tocá-la como eu fazia antigamente e mandar meus pensamentos
para ela daquela forma que só nós duas sabíamos fazer. Mas ao mesmo
tempo senti uma tristesa profunda ao ver como ela estava abatida. Seus
rosto sempre tão expressivo estava agora tão suavizado e vazio, como se
todas as linhas de seu rosto tivessem se apagado gradualmente. Os olhos
grandes e vermelhos estavam desbotados, como se o fogo que vivia alí
tivesse sido soprado por uma brisa implacável.
- Minha querida. – Chamou Aro, interrompendo nosso momento. Nosso olhar
silencioso se quebrou quando ela lentamente ergueu seus olhos até ele. –
Agora vê como cuidei bem dela? Nunca deixo de cumprir uma promessa. –
Gabou-se Aro, sentando-se novamente em seu trono. Zafrina não respondeu,
fiquei olhando para ela, obrigando-me a memorizá-la enquanto Aro
despejava sua ladaínha de sempre.
- ... mas vamos ao que interessa. – Pausou Aro. – Demetri, leve Renesmee
à seus novos aposentos, creio que ela esteja bastante cansada. – Olhei
de esguelha para Demetri e de volta para Aro. Atrás dele Alec moveu-se
desconfortavelmente.
- Posso fazer isso. – Disse Alec. Aro esboçou um sorrisinho.
- É claro que pode. – Riu ele. – Mas preciso que você faça algo para
mim. Ademais Alec, sossegue, Demetri cuidará bem de sua amada. – Senti o
sangue agrupar-se em minhas bochechas. Por quê Aro sempre tinha que
fazer piadas com aquilo? Alec era um assunto bastante delicado para mim.
Eu não sei se gostava dele, mas tinha certesa de que não o amava, embora
devesse minha vida à ele. Trocamos um olhar rápido e tímido, no qual eu
pude ver claramente sua preocupação comigo, e o que tornava tudo mais
embaraçoso é que aquele olhar só existia quando eu estava presente. Para
todo o resto, Alec ainda era o vampiro perigoso que executava as leis de
Aro. Eu era sua fraqueza e sentia-me mal por isso. Olhei para Zafrina
mais uma vez, sem saber ao certo se voltaria a vê-la e de súbito algo me
ocorreu.
- Quero ver Alice. – Meu pedido saiu mais como uma ordem, mas eu não me
importava. Aro me encarou por um momento, desconcertado. Ele certamente
não contava com aquilo, por quê em tese, eu não deveria saber sobre a
prisão de Alice. O silêncio envolveu a cena mais uma vez, e eu me senti
meio temerosa.
- Entendo. – Resmungou Aro. – Não há como guardar segredos entre essas
paredes, não mais. – Brincou ele. Apesar do sorrisinho descontraído que
Aro tentava manter em seu rosto, eu podia ver a insatisfação brilhando
por trás de seus olhos. – Paciência minha cara Renesmee, paciência. Tudo
em seu tempo. – Disse ele, e com um gesto vago, ordenou que Demetri me
levasse. Senti as mão frias e impossívelmente rígidas envolverem meu
braço e de imediato afastei-me dele.
- Sei onde é a saída. – Sibilei. O rosto imaculado de Demetri não
demonstrou nenhum aborrecimento, seus olhos carmim pareciam ter vida
própria, faíscaram em meu rosto por um segundo e depois voltaram-se
adiante novamente. Uma paciência inabalável aquele alí tinha. Caminhei
sem olhar para trás, sentindo a presença opressora de Demetri
seguindo-me de perto. Quando deixamos o salão, e a luz perolada da
antesala nos atingiu, me permiti analizá-lo um pouco mais e logo percebi
que da primeira vez que o tinha visto, naquele mesmo dia mais cedo, eu
realmente não tinha reparado nele, por quê parecia impossível que eu
tivesse deixado passar o que estava vendo agora. Era terrível.
As mãos, o pescoço delicado, o rosto pálido... Demetri tinha cicratizes
por toda parte. A imagem de Jasper voltou-me a mente nitidamente e com
ela as histórias que explicavam as velhas cicatrizes. Mordidas de nossa
espécie marcam para sempre, até mesmo nossa pele imortal. E sem que eu
pensasse muito sobre aquilo, eu logo entendi de onde vinham aquelas
marcas. Se os Volturi estavam caçando os aliados de minha família
durante aquele tempo todo, em quantas lutas Demetri não esteve
envolvido? Um rastreador sempre lidera o contingente ofensivo, está
sempre na linha de frente, era bem óbvio de onde vinham aquelas marcas.
- Diga-me. – Falei, enquanto o elevador nos levava para o andar
inferior. – Quem foi que colocou os dentes em você primeiro? Aposto que
foi Amum, aquele turrão, ah pensando bem, acho que não. Ele era muito
covarde para isso. Talvez tenha sido Garrett, ele não foi muito com a
sua cara da última vez. – Eu realmente não deveria provocá-lo daquele
jeito, até por quê Demetri sempre me deu medo. Ele me olhou, sem nenhuma
expressão em seu rosto arruinado, e para minha surpresa falou:
- Zafrina. Ela foi a primeira. E quer saber quem foi o último?. – Ele
ergueu o suéter e expôs uma cicatriz enorme em seu abdome. – O
transmorfo que você tanto ama! - A cicatriz não tinha o formato de meia
lua nem era meio brilhante na luz opaca, era uma linha grossa que
começava no tórax e terminava onde começava a baínha da calça de Demetri.
Eu podia imaginar a enorme pata dianteira passando de raspão alí, as
garras que mais se pareciam com adagas, arranhando a pele de mármore.
Podia imaginar o rugido bestial cortando o céu e os pêlos castanho
avermelhados eriçando-se nas costas. Mas o que foi mais brutal e
doloroso de se lembrar: o rosto dele. Tão nítido e perfeito que não pude
deixar de evitar que uma lágrima escorrece pelo canto de meu olho. Eles
tinham lutado. Demetri estava aqui. Ele só podia estar morto!
***
As velas tremeluziam, produzindo sombras nas paredes de pedra. Eu
poderia imaginar milhares de formas alí, mas minha mente não conseguia
se prender em nada, estava perdida num mar de dor, minha esperança
tentando inutilmente não se afogar. A cama de dossel entalhado parecia
mover-se sob mim, como num colchão de areia movediça. Eu sabia que
estava me aproximando do desespero e que aquele era talvez o pior
momento para deixar que isso acontecesse. Me enrosquei feito uma bola
nos travesseiros de plumas e nos lençóis de seda, tentando não ceder
àquela dor que já corroera muitas partes de mim. Sentia sede, minha
garganta queimava, mas de alguma forma essa queimação parecia apenas um
eco enfraquecido do fogo que consumia meu peito. As lembranças me
voltavam como pancadas diretamente em meu peito, tirando-me o ar. “Finja
que é meu coração”, disse ele uma vez, a floresta nos rodeando por todos
os lados, a voz rouca cortando a noite, ele estava chateado. “Essa é a
sensação. Como se meu coração tivesse sido espremido”. Sim Jake, eu sei
como você se sentiu aquela noite, embora eu saiba de alguma forma que
meu coração morreu com você esta noite.
Uma batida na porta, a frágil chama das velas iluminando o visitante
inesperado que não esperou minha permissão para entrar. Eu estava de
costas para a porta, mas ouvi seus passos descuidados demais para um
imortal, aquele cheiro agridoce, aquela intromissão desprecavida. Quem
mais poderia ser?
- O que quer Willian? – Resmunguei entre os travesseiros. Ele sentou-se
na beirada da cama e nada disse. Ficou olhando para a chamas vassilantes
das velas, escutando minha respiração descompassada, meu coração um
pouco mais veloz que um coração humano...
Sentei-me também, apoiando minhas costas na cabeceira ricamente
esculpida da cama em estilo italiano. Olhei-o silenciosamente, esperando
que ele dissesse algo e desejando muito que ele não o fizesse. Ele
apoiou os cotovelos nas pernas longas e levou as mãos ao queixo, parecia
estar mergulhado em pensamentos. Pela primeira vez vi seu rosto
desprovido daquela máscara de escárnio e o que restara era puro
sofrimento, quase tão amargo quanto o meu.
- Esse costumava ser meu quarto quando eu era garoto. – Disse ele
taciturno. – Lembro-me de esconder meus soldadinhos embaixo daquela
táboa solta. – Ele apontou um relevo no assoalho envelhecido. – Ás vezes
eu esquecia aonde os colocara, então minha mãe vinha e encontrava-os
para mim. – Ele sorriu consigo mesmo, olhou para mim por um instante e
percebendo minha pergunta muda ele disse:
- Ela está morta. Eu a matei.
Próxima sabado... A História do herdeiro, capítulo 25 de Rising Sun
Capítulo 24 – herança - Rising Sun a Historia
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Lua Nova Twilight! Desde 04/01/2009
Eclipse Tem Data de Estréia 30/06/10
Amanhecer Tem Data de Estréia
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